sábado, abril 21, 2018

como é que me levanto? alguém me explica?

sexta-feira, abril 20, 2018

é engraçado: quando penso no meu corpo, imagino-o lindo, mas depois quando me vejo ao espelho sem roupa, tenho vergonha do que vejo. acho-o esquisito. funcional, porém esquisito. com a sua cicatriz cor-de-rosa, a celulite, as ancas largas, os ilíacos saídos, o peito pequeno. esquisito, portanto. 

domingo, abril 15, 2018

sexta-feira, abril 13, 2018

sonhei com um beijo; um senhor beijo. daqueles roubados em público. depois acordei.

terça-feira, abril 10, 2018

beluga - beluga...
beluga - sim...
beluga - sabes que aquilo não é preocupação contigo, nem cuidado, nem atenção, nem carinho...
beluga - sim, eu sei. é "cutucar a onça com vara curta", é curiosidade...
beluga - ...sociológica.
editoras portuguesas que andam ocupadas com José Rodrigues dos Santos e com livrinhos que se vendem dentro de sacos de organza rosa: podiam por favor empenhar-se na tradução de Mircea Cartarescu para português e deixarem essas m***** delicodoces e de mau gosto?

domingo, abril 08, 2018

- original soundtrack -

absolutamente viciada no som disto:

















É você que tem
Os olhos tão gigantes
E a boca tão gostosa
Eu não vou aguentar

Senta aqui do lado
E tira logo a roupa
E esquece o que não importa
Nem vamos conversar
(...)

**engoles a saudade e voltas à tua vida.

- não vai mais vinho para essa mesa -

- o carteiro -

"é fazer as contas"


experiência:
pesquise a palavra "toalha" na Wikipédia e clique no primeiro link que lhe aparecer nessa página (não conta a origem da palavra). é remetido para a página da palavra "tecido". e daí em diante. vai obter o seguinte:

toalha - tecido - biologia - ciência - ciência - conhecimento - facto - filosofia

se fizermos a experiência com a palavra Madonna o resultado é:
Madonna - cantora - musicais - arte - estética - filosofia

e agora com "amor"
amor - emoção - subjectiva - indivíduo - metafísica - filosofia

óculos - ópticos - Física - ciência - conhecimento - facto - filosofia

abelha - insectos - invertebrados - animais - reino biológico - classificação científica - taxonomia - biológica - ciência - ciência - conhecimento - facto - filosofia

Microsoft excel - Microsoft - transnacional - Organização Internacional - organização - administração - ciência social - ciências - conhecimento - facto - filosofia

torresmo - pele - anatomia - biologia - ciência - conhecimento - facto - filosofia

Kim Kardashian - socialite - inglesa - língua germânica ocidental - família linguística - línguas - linguagem - linguística - científico - conhecimento - facto - filosofia


- o carteiro -

agora que passou a Páscoa e podemos voltar a comer carne, venho falar-vos dos malefícios da abstinência. Geralmente, quem se priva dos "prazeres da carne" (a comida, a bebida, os afectos...), acaba, mais cedo ou mais tarde, por dar asas aos mesmos, sem regra nem medida; ou seja, "quem nunca comeu melaço, quando come se lambuza". devemos por isso comer melaço - e o que mais nos aprouver - amiúde. Caso contrário, a abstinência prolongada, pode levar ao exagero. A menos que tenham um espírito tão estóico quanto o meu e aí sim, podem viver sem os prazeres do mundo. Mas veja-se o caso dos hoolingans no futebol: gente aparentemente normal, que faz o seu "nine-to-five", pais, mães, maridos e esposas com sexo marcado para as sextas à noite quando os miúdos vão para casa da avó, e que, ao fim-de-semana, perante umas cervejas, vêem-se logo em delírios megalómanos de domínio do desporto nacional e do outro. Bebessem eles umas cervejas mais a meio da semana, fizessem eles o amor quando lhe aprouvesse e aqueles espectáculos pouco edificantes não tinham lugar.

O mesmo acontece em relação à religião, penso eu. A minha experiência diz-me que quanto mais apertarmos o nosso freio por motivos religiosos, pior vai ser no dia em que nos libertarmos dele. No meu caso até foi melhor! Durante muito tempo achei que para ser uma boa cristã tinha de seguir os passos de Cristo: comer pouco, vestir de forma modesta, rezar, falar o estritamente necessário. Um dia, quando decidi alargar o cinto destas proibições, acabei por tirá-lo e deixei de rezar, voltei a comer e comecei a ter uma vida normal, dentro daquilo que pode ser considerada a normalidade.

Em todas as épocas houve quem tivesse levado tão a sério as proibições das suas religiões que acabou por cair no oposto, levando consigo dezenas - em alguns casos centenas - de seguidores para rituais que propunham exactamente o oposto daquilo que propõe qualquer religião: assassínio, tortura, violação, violência, infanticídio, parafilias várias... enfim, you name it. Ou seja, os princípios ascéticos muito estritos podem levar a uma revolta contra os mesmos ou, por outro lado, a uma confirmação ainda mais estrita destes. E algumas destas seitas tiveram origem nos primórdios do Cristianismo, quando o mesmo ainda estava a ser decidido na secretaria. Os Carpocratianos, seguidores das teorias heréticas de Carpócrates de Alexandria, defendiam, entre outras coisas, que a propriedade não era natural e por isso, homens e mulheres eram de todos. O sexo entre todos e com todos devia ser natural, uma vez que ninguém pertencia a ninguém. Foram assim uma das primeiras seitas a abolir o casamento, ainda que isto não resultasse de forma igual para homens e mulheres. Com a abolição do casamento as mulheres ficavam a pertencer a todos os homens, mas duvido que todos os homens ficassem à disposição de todas as mulheres. Na mesma altura os Paterniani ou Venustiani surgiram defendendo que a parte inferior do corpo humano havia sido criada pelo Diabo e que a parte superior, por Deus. Uma vez que os seus genitais eram propriedade do Demo, eles nada podiam fazer a não ser obedecer ao Demo e darem-se a todas as práticas sexuais com o mesmo empenho com que o cérebro se dava a Deus. (Os Severiani também acreditavam que o corpo humano havia sido criado em partes por duas entidades tão diferentes quanto Deus e o Diabo e até, que a líbido se localizava na parte inferior do corpo humano, mas lá conseguiram controlar o impulso sexual). No século X, em França, surgiram os Bogomilos, que embora não fossem originários de lá, se espalharam um pouco por toda a Europa. Havia um certo respeito pelos Bogomilos: tal como outras seitas, propunham o regresso a uma vida mais próxima da de Cristo e das Escrituras, principalmente no que diz respeito aos alimentos, ao culto de imagens e à oração. Mas diz-se que estes tinham uma prática pouco comum que em França granjeou vários adeptos: formar uma roda e atirar entre todos os membros da roda, uma criança que, mais cedo ou mais tarde, com tanto puxão e queda, acabava por morrer.

Já no século XIII a ideia de que tudo era permitido foi um pouco refinada através de uma seita chamada Begardos. Defendiam pois que um homem de fé não podia conspurcar-se de forma alguma. Mesmo que esse homem se desse a todas as perversões, a sua fé não permitia que isso o corrompesse. Já no século XIV quem brilhou a Ocidente foi Dulcinius da Lombardia, um padre que apareceu com a ideia de que a cristandade podia ser dividida em três teocracias: a primeira ia desde a formação do mundo até ao nascimento de Cristo (teocracia governada por Deus); a segunda, do nascimento de Cristo até cerca de 1300 (governada por Jesus) e a terceira, a partir de 1300 (governada par lui même! e na qual o sexo desbragado não constituía qualquer crime). Os dulcinistas podiam ser descompensados, mas eram descompensados em grande número: Dulcinius chegou a contar com cerca de 6.000 seguidores! Para além desta provocação com a questão sexual, os dulcinistas foram mais longe - daí o grande número de adeptos. Eles colocaram em causa a legitimidade do Papado ao afirmarem que viviam como os apóstolos: em total humildade e pobreza. Os seus actos só podiam ser julgados por alguém que vivesse como eles, o que não era o caso do Papa da altura, Clemente IV, que não esteve de modas e vai dai ordenou a sua captura e morte, na roda.

Muitas dessas seitas tiveram origem na Rússia onde no século XVII se deu uma cisão entre os cristãos mais ortodoxos e os menos ortodoxos. Houve um reafirmar do cristianismo ortodoxo que criou muitas inimizades. Com a subida de Pedro, O Grande ao poder, a antiga ordem, mais próxima de Roma foi reposta, mas houve quem sentisse que a Rússia se estava a vender. Foi nesses "enclaves" ideológicos que floresceram ideias cada vez mais opostas a tudo o que fosse ditado pelo Vaticano. Havia pois o Chisleniki cujo líder, Taxas Maxim, era um simples camponês com uma capacidade de estabelecer silogismos que convenciam qualquer um. Diz pois Taxas Maxim aos seus seguidores a fim de convencê-los: "Os homens devem ser salvos do pecado. Mas, se não pecarem, não podem ser salvos. Por conseguinte, o pecado é o primeiro passo no caminho da salvação". [1] Foi igualmente na Rússia que no século XIV se criou uma das formas de contornar as regras religiosas mais criativas. Os Lothardi achavam que podiam existir dois comportamentos aparentemente opostos ainda que ambos de acordo com a religião. À superfície a moral religiosa era a que prevalecia, mas cerca de 1,40metros abaixo do solo (aproximadamente três elles), todas as licenciosidades eram permitidas. Reuniam-se em subterrâneos, minas, túneis e nesses locais, fora do radar do olho divino, praticavam flagelação, assassínio e suicídio, entre outras práticas. Mais recentemente, e ainda activos na Rússia estão os Pryguny / Skakuny, uma versão actualizada do que propunham os Begardos na Alemanha no século XIII e deles próprios, já que os Pryguny vêm dos Molokan, uma seita oriunda do século XII. Parece-me que os Prynguny de hoje são muito diferentes dos Molokan de outrora, mas ainda assim verifica-se que casam e copulam entre si (não se abrem a outras comunidades, clãs ou seitas) e por isso é natural que em algumas regiões com menos número de membros as relações consanguíneas sejam comuns.

(continua)

quarta-feira, abril 04, 2018

dói-me (n)o lado esquerdo do peito. 

quinta-feira, março 29, 2018





quarta-feira, março 28, 2018

- original sountrack -

porqu'é Páscoa

O sacred head, sore wounded,
defiled and put to scorn;
O kingly head surrounded
with mocking crown of thorn:
What sorrow mars thy grandeur?
Can death thy bloom deflower?
O countenance whose splendor
the hosts of heaven adore!

Thy beauty, long-desirèd,
hath vanished from our sight;
thy power is all expirèd,
and quenched the light of light.
Ah me! for whom thou diest,
hide not so far thy grace:
show me, O Love most highest,
the brightness of thy face.

I pray thee, Jesus, own me, me,
Shepherd good, for thine;
who to thy fold hast won me,
and fed with truth divine.
Me guilty, me refuse not,
incline thy face to me,
this comfort that I lose not,
on earth to comfort thee.

In thy most bitter passion
my heart to share doth cry,
with thee for my salvation
upon the cross to die.
Ah, keep my heart thus moved
to stand thy cross beneath,
to mourn thee, well-beloved,
yet thank thee for thy death.

My days are few, O fail not,
with thine immortal power,
to hold me that I quail not
in death's most fearful hour;
that I may fight befriended,
and see in my last strife
to me thine arms extended
upon the cross of life.

- não vai mais vinho para essa mesa -

ela - you're so nice. Why don't you have a boyfriend?
eu - I don't know...
ela - you should date online. There's Tinder and...
eu - oh no no no...!
ela - Everybody is using dating apps!. You should absolutely date online!
eu - I want to meet real people...
ela - Oh, don't be afraid of finding bad guys...
eu - I'm not afraid of finding bad guys, I'm afraid of finding bad dicks. Bad, ugly dicks.

- o carteiro -

avózinha, porque é que?

Poderia ser uma nova rubrica aqui no belogue, mas eu nem tenho tempo para as que existem, quanto mais para novas!...
Bom, é uma rubrica para capuchinhos vermelhos cujas avozinhas, antes de comerem as netas, têm tempo para lhes esclarecer dúvidas religiosas, importantes para quem vai entregar a alma ao criador daí a nada. convém, já sabem, estar ante o Senhor, sem dúvidas, ou ele manda-nos vaguear no limbo até mudarmos de ideias, o que acontece num instante. acreditem em mim que sei bem o que é o limbo. então cá vai:

- avózinha, porque é que Moisés tem cornos?
- jovem insolente, nem pareces minha neta. não lês nada de jeito? Não te inducas, não te enformas? eu sei o que queres dizer. Baseias essa tua ideia nestes dois trabalhos?
Micheangelo Buonarroti
Moses
1515
San Pietro in Vincole, Roma

Giovan Maria Morlaiter
Moses
Santa Maria del Rosario, Veneza

Pois bem, Moisés não tem chifres nem nunca teve embora surjam aqui e em muitas outras obras de arte. O que se passou com Moisés foi fruto de uma má tradução do hebraico para o latim, quando São Jerónimo tratou da Vulgata e do episódio em que Moisés desce o Sinai com os Dez Mandamentos, pela segunda vez, uma vez que da primeira vez as tábuas da lei foram por ele partidas. Ora bem, o hebraico tinha um número muito limitado de palavras. Assim, a mesma palavra poderia querer dizer duas coisas diferentes. No caso do Êxodo, que fala do episódio em que Moisés "ganha" chifres, a palavra utilizada em hebraico foi o verbo קָרַ֔ן (qaran) que quer dizer irradiar, brilhar, mas que se escreve da mesma forma que o nome qeran (קָרַ֔ן , ou seja, nome e verbo escrevem-se da mesma forma, mas pronunciam-se de formas diferentes, sendo que o nome "qeren" quer dizer "cornos a crescer" ou "criar cornos", se assim quisermos dizer). São Jerónimo optou pelo nome em vez do verbo e traduziu a passagem do Êxodo da seguinte forma:

“Cumque descenderet Moyses de monte Sinai, tenebat duas tabulas testimonii, et ignorabat quod cornuta esset facies sua ex consortio sermonis Domini” (Êxodo 34:35)

"Qaran" deu lugar a "qeren", "qeren" deu lugar a "cornuta" e daí aos cornos foi um instante. Os artistas até ao Renascimento retrataram Moisés com cornos, embora a partir daí as versões da Bíblia tivessem feito a devida correcção e por isso seja difícil encontrar após isso imagens de Moisés chifrudo. A Bíblia dos Capuchinhos - que considero uma das melhores edições da Bíblia e que pode ser encontrada online, já não fala em chifres, mas antes em irradiar, resplandecer:

"Os filhos de Israel viam resplandecer a face de Moisés que, em seguida, tornava a colocar o véu sobre o rosto, até entrar novamente para falar com Deus." (Êxodo 34, 35)

- avózinha, os anjos têm espadas?
- fazes-me cada pergunta! Chata!
- têm ou não?
- Habitualmente não, embora haja para aí muita treta mística que diga que sim. Quer dizer, os anjos do Antigo Testamento tinham. O Uriel tinha.
- Quem era Uriel?
- O anjo que estava às portas do Éden?
- Do Éden - Paraíso?
- Sim, do Éden-Paraíso... Que outro Éden poderia ser?
- Então é esse!
- Ah... estás a falar do Uriel porque viste isto, não foi?
Giusto de' Menabuoi
Expulsion of Adam and Eve from Paradise
1375-1378
Baptistry of St John, Pádua


Michelangelo Buonarroti
Expulsion from Garden of Eden
1509-10
Fresco
Cappella Sistina, Vaticano
- ouve... o que tu vês nestas imagens são querubins, anjos com aparência humana e um par de asas. Pir vezes podem ter formas estranhas, como animais híbridos, quase monstruosos, mas estes são sem dúvida querubins. os serafins têm três pares de asas. Não há nada na Bíblia que diga que os querubins ou outros anjos expulsaram Adão e Eva do Paraíso à espadeirada. O que diz é:



"Depois de ter expulsado o homem, colocou, a oriente do jardim do Éden, os querubins com a espada flamejante, para guardar o caminho da árvore da Vida." (Génesis 3, 24

Em outras traduções lê-se que Deus colocou os "querubins e uma espada flamejante que se movia e guardava o caminho da árvore da vida", Seja como fôr, os querubins não expulsam Adão e Eva pela força da espada. A história seria muito mais interessante se assim fosse, mas pelos vistos,... não.

- avózinha, porque é que estão a enfiar um pedaço de mármore pela goela deste senhor?
- hã?
- aqui! É mármore, não é?
1146
Bíblia Lambeth, Ms.3, fol.258
Lambeth Palace Library, Londres

- mármore? tens cada ideia!
- parece... a mim parece.
- parece, mas não é?
- então o que é, avozinha?
- olha, é Deus a fazê-lo comer o manuscrito. O que ele está a comer é papel e não mármore. O que deve ser bem menos indigesto... Bom, o Ezequiel é um mistério: tal como Elias, e como o próprio Jesus, ascende aos céus (com Elias partilha o meio de transporte: um carro de fogo), come um manuscrito (Ezequiel 3, 1), dorme 190 dias sobre um dos lados (Ezequiel 4, 5) e 40 sobre o outro (Ezequiel 4, 6), faz uma maquete do cerco babilónio a Jerusalém, rapa os cabelos e divide-os em três partes (uma para largar ao vento, uma para largar na cidade e a terceira para queimar) (Ezequiel 5, 1), come comida confecionada sobre cocó humano (Ezequiel 4, 12)... Enfim, é bem provável que o Ezequiel estivesse sob a influência de drogas quando escreveu isto.
- avózinha... 
- sim....
- porque é que usas brincos nas orelhas para dormir?
- porque nunca se sabe o que a noite nos reserva. posso encontrar o homem dos meus sonhos...nos meus sonhos. e se houver um incêndio durante a noite, sempre é menos uma coisa com que me preocupar.
- e porque é que tens uns olhos tão pequeninos?
- porque estou cheia de sono. vou dormir e tu também devias ir em vez de ficares aí horas no Snapchat. 
- não vai mais vinho para essa mesa -

e a pedido de diversas famílias, mais um episódio da série "avaliar-um-livro-pela-capa-e-uma-pessoa-pelos-sapatos":


quarta-feira, março 21, 2018

- original soundtrack -

Tim Bernandes ou "o ké ké isso?" ou "seja lá o que isso fôr, é isso":



















Quando acorda olha para o lado
Se veste bonita pra ninguém
Chora escondida no banheiro
Pras amigas finge que está bem
Mas eu vejo
Eu vejo

Acha que precisa ser durona
Não dá espaço para a dor passar
Tem um grito preso na garganta
Que não está deixando ela falar
Mas eu ouço
Eu ouço

Quase como que anestesiada
Vai deixando a vida carregar
Ela sentiu mais do que aguentava
Não quer sentir nada nunca mais
Mas eu sinto
Eu sinto

Qualquer um que encontra ela na rua
Vê que alguma coisa se apagou
Ela está ficando diferente
Acho que ninguém a avisou
E eu digo
Eu digo


(Ela, Tim Bernardes)

terça-feira, março 20, 2018

- original sountrack -
ou
- ars longa, vita brevis -
Hipócrates
este post pode ser um original soundtrack, mas é também um "antes e depois", pois a história contada na música "Geni e o Zepelim" é muito semelhante à do conto de Guy de Maupassant "Bola de Sebo" (só encontrei em espanhol). Este conto "conta" a história de um conjunto de pessoas que fogem da cidade de Rouen quando esta é tomada pelas tropas a propósito de conflitos relativos à Guerra Franco Prussiana. O grupo, bastante heterogéneo, é composto por uma prostituta (chamada "Bola de Sebo" por ser pequena e roliça), três casais de burgueses, duas freiras e um jovem radial. É ela quem, no decorrer da viagem, partilha com os restantes membros do grupo alguns mantimentos. Durante a fuga, o grupo fica refém de um comandante prussiano que diz só deixá-los passar se Bola de Sebo o servir. Ela sente-se ultrajada face a tal proposta e nega-se, mas perante a animosidade do grupo - que a culpa por se encontrarem detidos - Bola de Sebo acaba por ceder. A caravana segue viagem, mas agora é ela, Bola de Sebo, quem não vem prevenida com mantimentos, e vê que ninguém partilha com ela o alimento que tem.


Chico, é só pr'ávisar que quando vieres cá, vou gritar e pedir músicas.

De tudo que é nego torto
Do mangue e do cais do porto
Ela já foi namorada
O seu corpo é dos errantes
Dos cegos, dos retirantes
É de quem não tem mais nada
Dá-se assim desde menina
Na garagem, na cantina
Atrás do tanque, no mato
É a rainha dos detentos
Das loucas, dos lazarentos
Dos moleques do internato
E também vai amiúde
Co'os velhinhos sem saúde
E as viúvas sem porvir
Ela é um poço de bondade
E é por isso que a cidade
Vive sempre a repetir
Joga pedra na Geni
Joga pedra na Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni
Um dia surgiu, brilhante
Entre as nuvens, flutuante
Um enorme zepelim
Pairou sobre os edifícios
Abriu dois mil orifícios
Com dois mil canhões assim
A cidade apavorada
Se quedou paralisada
Pronta pra virar geléia
Mas do zepelim gigante
Desceu o seu comandante
Dizendo - "Mudei de idéia
Quando vi nesta cidade
Tanto horror e iniquidade
Resolvi tudo explodir
Mas posso evitar o drama
Se aquela famosa dama
Esta noite me servir"
Essa dama era Geni
Mas não pode ser Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni
Mas de fato, logo ela
Tão coitada e tão singela
Cativara o forasteiro
O guerreiro tão vistoso
Tão temido e poderoso
Era dela, prisioneiro
Acontece que a donzela
- e isso era segredo dela
Também tinha seus caprichos
E a deitar com homem tão nobre
Tão cheirando a brilho e a cobre
Preferia amar com os bichos
Ao ouvir tal heresia
A cidade em romaria
Foi beijar a sua mão
O prefeito de joelhos
O bispo de olhos vermelhos
E o banqueiro com um milhão
Vai com ele, vai Geni
Vai com ele, vai Geni
Você pode nos salvar
Você vai nos redimir
Você dá pra qualquer um
Bendita Geni
Foram tantos os pedidos
Tão sinceros tão sentidos
Que ela dominou seu asco
Nessa noite lancinante
Entregou-se a tal amante
Como quem dá-se ao carrasco
Ele fez tanta sujeira
Lambuzou-se a noite inteira
Até ficar saciado
E nem bem amanhecia
Partiu numa nuvem fria
Com seu zepelim prateado
Num suspiro aliviado
Ela se virou de lado
E tentou até sorrir
Mas logo raiou o dia
E a cidade em cantoria
Não deixou ela dormir
Joga pedra na Geni
Joga bosta na Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni!

(Geni e o Zepelim, Chico Buarque)


segunda-feira, março 19, 2018

- original soundtrack -

não sei..., gosto de ouvir isto. um dos meus guilty pleasures é ouvir a pior pop. o outro é ouvir country.


(Harvest Moon, Neil Young)
- não vai mas vinho para essa mesa -

Duarte (2 anos) - bibi, amo-tiiiii!
beluga - oh fofinho!... acho que és o primeiro homem a dizer-me isso!
- o carteiro -

O anúncio falava de "livros ao quilo" e eu lá fui a pensar "como é que não vim antes? Aposto que quando chegar lá já só têm livros sobre 'a sexualidade da jovem rapariga' ou policiais de bolso". E desgracei-me, claro está! Comprei livros de que não necessito e que provavelmente nunca vou ler. Os tais tsundoku. E pior: quando cheguei a casa e fui pesquisar qual o preço de venda daqueles livros numa livraria tradicional, vi que era o mesmo.
stupido, stupido, stupido!








- ars longa, vita brevis -
Hipócrates

antes e depois ou como este foi mesmo um acaso visto que eu tenho cada vez menos tempo para escrever, para procurar assuntos que considere adequados ao belogue... e pelo "andar da carruagem", temo que um destes dias deixe de dormir ou de fazer cócó porque deixarei de ter tempo também para isso. enfim, é uma longa história que não vale a pena contar. cá vai então:

Rubens
Descent from the cross
1612-1614
Cathedral of Our Lady, Antuérpia

Anthony Caro
Descent from the cross
1886-1887
Modern Art Museum of Fort Worth, Texas


Beijinhos e abraços. vou para dentro.
- não vai mais vinho para essa mesa -

Hey Mr. Dj, put a record on... (ou como se diz cá na terra: "bota som"):

[1]
"Uma sandes de carne assada e um rissol. E mais nada"

[2]
Uber ou mamã? (não recebo comissão)

[3]
Quê????

quinta-feira, março 15, 2018

 - original soundtrack -

da oração,
da redenção. obrigada, Pedro


(...)
Oh, I wanna come near and give ya
Every part of me
But there's blood on my hands
And my lips aren’t clean

In my darkness I remember
Momma’s words reoccur to me
"Surrender to the good Lord
And he’ll wipe your slate clean"

Take me to your river
I wanna go
Oh, go on
Take me to your river
I wanna know

Dip me in your smooth waters
I go in
As a man with many crimes
Come up for air
As my sins flow down the Jordan
(...)

(River, Leon Bridges)

segunda-feira, março 12, 2018

ou vomitar
preciso de um banho de alma. ou de rezar. ou vomitar.

quarta-feira, março 07, 2018

muito trabalho. muito trabalho e outras coisas.
mas fica para outra vez.