terça-feira, outubro 17, 2017

- o carteiro -

queria escrever, escrever a sério, mas não tenho tempo... deixo-vos isto


























































 

sábado, outubro 14, 2017

adiantar trabalho

quinta-feira, outubro 12, 2017

Cara Donna

Podes até não concordar que as mulheres vistam outra coisa que não calças Palazzo de linho belga com cardigans caqui de caxemira enquanto passam férias nos campos de golfe de Martha's Vineyard, mas nunca desculpabilizar os abusadores, culpando as vítimas pelo seu gosto. Podes não conceber a ideia de uma mulher usar roupa transparente e decotada, justa e curta, mas tens de defender o direito dela a fazer as suas escolhas sem ser limitada pelo medo do abuso sexual ou da avaliação dos outros. Uma "cena voltariana", conheces? Pois, é isso. Lembra-te, nada justifica o abuso.
- original soundtrack -
- outra vez esta música?
- sim, apetece-me. Mas há mais.


Porque foste em minh'alma
Como um amanhecer
Porque foste o que tinha de ser.
- não vai mais vinho para essa mesa -

não sei porquê, mas estou sempre com os "faróis acesos" no ginásio. faça frio ou calor, lá estão eles, a olhar para mim ao espelho a dizer "estamos aqui e aqui vamos ficar atá acabares os squats."

bem, cada um endurece como pode...
- o carteiro -

nem sempre andamos como hoje. quando falo de "andar" falo mesmo de "caminhar". Nem sempre essa acção foi como é hoje em dia. Não obstante as diferenças de passo, de menear de ancas, de inclinação do tronco que possamos ter, as nossas diferenças nesse campo não são suficientes para dizer que hoje caminhamos de forma diferente de há um século atrás. Mas os homens do século XV podiam dizer que caminhavam de facto de forma diferente dos seus antepassados nos séculos anteriores.

Por mais que custe a acreditar, o homem medieval caminhava como uma espécie de ginasta a deslocar-se para o exercício de solo, ou como uma bailarina a sair de palco. Até ao século XV era a ponta do pé que tocava primeiro no solo e só depois a planta do pé e por fim o calcanhar. Isto tinha uma razão de ser. Ou duas: por um lado o tipo de calçado da época, semelhante em quase todas as geografias e por outro, o tipo de pavimentação das cidades. O calçado, conforme podem ver, assemelhava-se a uma meia de couro, sem estrutura para a planta.
























Bibliothèque de l’Arsenal, Ms-5073 réserve, fol. 230r.

Aliás, na Itália no século XIV, não havia mesmo sapatos, mas somente as meias. Para quê tanto trabalho a calçar as duas coisas? Ora, uma vez que o pé ficava mais vulnerável, havia necessidade de tactear o espaço a pisar. Uma pedra, por exemplo, seria sentida com mais intensidade por um pé pouco protegido, em comparação com um pé protegido. Era pois necessário andar em bicos de pés. Ora andar em bicos de pés, projectar os membros inferiores para a frente, obrigava a equilibrar com os membros superiores, ou com o tronco para trás todo o corpo. É o mesmo princípio subjacente ao uso do Segway: se tudo for para a frente, caímos, se tudo for para trás, caímos. Havia pois um equilíbrio gracioso entre o pé que se antecipa e tacteia e o corpo que se faz quase anunciar pela colocação do pé no chão.

Quando, no século XV as cidades do Renascimento, pensadas para a política, para a arte, para reflectirem o poder fosse ele religioso ou económico, para Ad Majorem Gloriam (não necessariamente de Deus), mudaram, o calçado também mudou. Do sapato sem forma, da meia de couro, passaram a usar-se sapatos com sola. Pouco confortável, no início, feita de madeira, pesada e dura, mas uma sola. Ora a sola foi um alívio para a mente. Não, não estou enganada: a sola foi um alívio para a mente. O que se passava era que o andar em bicos de pés exercitava mais o corpo (os dedos dos pés e os músculos das pernas) e colocava a mente a avaliar constantemente o passo: devo avançar para aqui? devo pisar aquela pedra? vai doer? A sola no sapato veio dissipar essas dúvidas, pois era o calcanhar a assentar primeiro, já protegido e que, assim avança com segurança. Obviamente isso mudou a nossa postura. Pudemos finalmente andar despreocupados, com as costas curvadas e a barriga dilatada, sem medo de cair. Embora muita gente ainda se ponha em bicos de pés, sabe-se lá para quê.
- ars longa, vita brevis -
Hipócrates

antes e depois ou "é isto. E eu que até nem gosto muito de David Lynch, passei a gostar mais (um bocadinho. não é um bocadinho muito grande, mas quem dá o que tem a mais não é obrigado)."
















Edward Hopper
Office at Night
1940
Walker Art Center, Minneapolis

















David Lynch
Twin Peaks - The Return (Epis. 8)
2017
ao experimentar uma peça de roupa no provador da loja senti-me tão nojenta, tão ridícula, tão disforme, que já nem experimentei mais nada.

quarta-feira, outubro 04, 2017

Filipe, por favor, não fales de democracia. Em democracia os cidadãos escolhem os seus representantes. Tu foste escolhido pelo teu pai, por Deus, pela linha de sucessão, por três avé-marias e um "ide em paz e que o Senhor vos acompanhe, amén".

segunda-feira, outubro 02, 2017

- original soundtrack -

a ouvir isto incessantemente


















I've been looking so long at these pictures of you
That I almost believe that they're real
I've been living so long with my pictures of you
That I almost believe that the pictures
Are all I can feel

Remembering you standing quiet in the rain
As I ran to your heart to be near
And we kissed as the sky fell in
Holding you close
How I always held close in your fear
Remembering you running soft through the night
You were bigger and brighter and wider than snow
And screamed at the make-believe
Screamed at the sky
And you finally found all your courage
To let it all go

Remembering you fallen into my arms
Crying for the death of your heart
You were stone white
So delicate
Lost in the cold
You were always so lost in the dark
Remembering you how you used to be
Slow drowned
You were angels
So much more than everything
Hold for the last time then slip away quietly
Open my eyes
But I never see anything

If only I'd thought of the right words
I could have held on to your heart
If only I'd thought of the right words
I wouldn't be breaking apart
All my pictures of you

Looking so long at these pictures of you
But I never hold on to your heart
Looking so long for the words to be true
But always just breaking apart
My pictures of you

There was nothing in the world
That I ever wanted more
Than to feel you deep in my heart
There was nothing in the world
That I ever wanted more
Than to never feel the breaking apart
All my pictures of you

(Pictures of you, The Cure)
- não vai mais vinho para essa mesa -

aquele momento, antes de te deitares, em que colocas perfume. e brincos.
os brincos que havias tirado quando chegaste a casa. 
-ars longa, vita brevis -
Hipócrates

antes e depois ou "um regresso aos tempos áureos". pois é meus amigos... estava a ver revistas de moda antigas (guardo muitas revistas de moda dos anos 90)
[és tão fútil...]
e descobri isto, este antes e depois:
















Paul Gauguin
The Spectre Watches over Her (Manao Tupapau)
1892
Albright-Knox Art Gallery, Buffalo
















Peter Lindbergh para a Harper's Bazaar
1992

Bem, torna-se cada vez mais difícil escrever estes posts pois acabo por repetir-me. Nunca escrevi muito sobre o Gauguin, é verdade, mas o que posso dizer, já toda a gente sabe: pintor francês que viveu a infância na América Central, tornou-se corretor na Bolsa, dedicou-se à pintura nas horas vagas, casou e fez filhos, perdeu o emprego, dedicou-se à pintura, passou mal e deixou tudo para ir para o Taiti pintar. O seu pós-Impressionismo não é o da Europa de Van Gogh e Cézanne. É verdade que como os dois, a temática das suas obras passa pela natureza, mas é exótica, mística, étnica e sensual e quente. Os amarelos de Gauguin são os amarelos do exotismo, do calor, enquanto os de Van Gogh, por exemplo, são os da alucinação, da carga psicológica. Esta é uma das mais importantes pinturas de Gauguin durante a sua passagem pelo Taiti. A inspiração para este/esta Manao Tupapau é dupla: por um lado, trata-se de uma adaptação livre da Olímpia de Manet (a Olímpia de Manet está voltada para cima e esta figura de Gauguin está de barriga para baixo) que Gauguin copiou em 1891 e por outro lado, de uma interpretação do artista das leituras que o mesmo faz do livro Voyages aux Iles de Grand Ocean de Jacques-Antoine Moerenhout, de 1892. Esta obra relata os rituais e costumes polinésios que, no momento em que Gauguin chega ao Taiti, quase tinham desaparecido devido, em grande parte, à colonização ocidental.

Nos anos 90, com as supermodelos (Claudia, Cindy, Helena, Linda, Eva, Naomi), mais polpudas que as modelos heroin-chic dos início do novo milénio, houve um regresso ao glamour. Não é que esse alguma vez tivesse abandonado a moda, mas as supermodelos, como o nome indica, tornaram-se estrelas planetárias, mais importantes do que aquilo que vendiam. Deixaram de ser cabides para passar a ser o produto. As suas vidas eram expostas em capas de revistas e tinham tanto interesse quanto as vidas dos cantores do momento, da realeza, do cinema... A Naomi fazia parte desse rol. Como tantas outras, cruzou a sua actividade profissional com a música ou o cinema (ou a música e o cinema é que se cruzaram com a moda...). Não era aquela que eu mais gostava. Vocês sabem, a Helena é que era a "minha cena", mistura de peruano com sueco, se não estou em erro. Mas a Naomi tinha um senhor rabo: redondo mas atlético. E só por isso, merece o meu apreço. A par das modelos pop, vieram os fotógrafos de moda pop. Ou seja, os fotógrafos de moda tornaram-se mais conhecidos porque o seu nome era divulgado juntamente com a fotografia em que a modelo surgia na campanha. "Isso desde sempre aconteceu", dizem vocês. Sim, é verdade, mas nesta altura, nestes anos 90, a imagem destas mulheres era replicada obsessivamente. O Peter Lindbergh, que eu conheço mais pelas fotografias de nus do que por este tipo de fotografias com referência nas artes plásticas, não era de facto o fotógrafo mais significativo nas fotografias que se aproximam de obras de arte. A Annie Leibovitz, por exemplo, fez isso mais vezes. O Eugénio Recuenco faz muitas mais. O curioso neste ensaio, é que é possível retirar a carga sensual das imagens quando as mesmas são isoladas. Juntas, elas são, não uma homenagem a Gauguin, mas às mulheres como a Naomi Campbell. O que não deixa de ser uma homenagem às mulheres, já que no quadro vemos Tehura, a companheira de Gauguin no Taiti, enquanto na fotografia vemos a deusa do ébano e do mau-feitio, Naomi Campbell.

Beijinhos e não se esqueçam de lavar os dentes.
- o carteiro -

A imagem pode parecer mórbida, mas tendo em conta o nome "Medusa", não podia ser de outra forma. Bem, não vou dizer nada que vocês não tenham já lido por aí. A Medusa era um monstro da mitologia clássica cujo olhar transformava em pedra quem ousasse olhá-la nos olhos. Para matá-la, Perseu teve de usar o seu escudo como espelho para assim não enfrentar o monstro. Bem, também ajudou o capacete que o tornava invisível e as sandálias aladas. Cortou-lhe a cabeça, cujo sangue formou os corais do Mar Vermelho, diz-se. Só uma nota: Perseu teve de matar a Medusa para assim libertar a mãe das garras do rei Polidecto. Pelo menos foi assim que aprendi a história.












Peter Paul Rubens
The Head of Medusa
c. 1617
Kunsthistorisches Museum, Vienna

Perseu era um argonauta; ou seja, embarcou na nau Argo em busca do Velo de Ouro. Ora esta coisa de embarcar numa nau, numa barca, não é apanágio da mitologia clássica. Fê-lo Perseu, fê-lo Ulisses... Às sereias cabe o papel de fazê-los sair de lá. Temos também Caronte... A barca representa, no fim das contas, a passagem. Mas a barca também é algo presente na mitologia nórdica ou até na  pintura do pintor flamengo Bosch que por sua vez terá ido buscar inspiração à literatura e às tradições da Flandres. O louco é o marginal, o alienado, aquele que se comporta fora dos limites do aceitável. E houve de facto, nesta altura, nesta plena Idade Média, uma tendência para alienar os loucos e os doentes mentais da vista daqueles que não o eram. Os loucos eram recolhidos e levados para locais onde a sua loucura era permitida. Isso aconteceu com os leprosos e até, com as pessoas internadas em sanatórios (os sanatórios eram locais relativamente isolados). Na Idade Média a Stultifera Navis era a barca que recolhia todas essas pessoas e que as transportava para locais onde a sua loucura era tolerada, fosse por neles não existirem "não-loucos", fosse por os referidos locais serem geralmente ilhas (A Ilha dos Mortos, de Arnold Bocklin, por exemplo) e daí não existirem vizinhos susceptíveis. O navio dos loucos (título de um livro, também da Idade Média que lista 110 vícios morais e físicos) levava loucos, alienados, alcoólicos e dementes para um local só deles onde esses vícios eram permitidos e cujo nome era, Narragónia. Ora a Narragónia deste livro, é exactamente o País da Cocanha de Brueghel, e a Gozolândia do Brasil; ou seja, esta ideia de que existe um local onde os vícios são permitidos é transversal no tempo e no espaço.

Não será por isso de admirar que é neste epílogo da Idade Média que acontece um dos mais estranhos fenómenos colectivos de que já ouvi falar. Loucos, desde sempre os houve. E isso não era necessariamente mau: vejam-se por exemplo as cortes que não passavam sem o seu séquito de bobos e anões (obviamente os bobos e os anões não eram obrigatoriamente loucos, mas faziam parte daquele conjunto de pessoas que tinham de viver à margem da sociedade, mesmo fazendo parte da corte. É que se o faziam, era para divertirem e não pelas suas qualidades mentais, psicológicas, etc...). Mas sim, de facto os loucos existiam, mas a febre colectiva que tenha levado centenas de pessoas a dançar durante dias até cair para o lado de exaustão, sem motivo aparente, não foi sentido apenas por loucos. Em 1518, em Estrasburgo, cerca de 400 pessoas começaram a dançar até morrerem de exaustão. Tudo começou na semana que antecedeu o Festival dedicado a Maria Madalena que se realizava naquela cidade. Nela, uma mulher conhecida por Frau Troffea iniciou forma voluntária e sem nenhuma razão aparente uma dança que ao fim de um mês já tinha juntado mais de 400 pessoas, sendo que - e uma vez que as mesmas não paravam de dançar - por dia morriam cerca de 15, por exaustão ou por falência cardíaca. O termo usado para descrever este fenómeno - cujo caso aqui descrito não foi um caso isolado na Idade Média, mas é sem dúvida o que melhor documentado está - foi dado por Paracelso. A Dançomania, ou Choreomania, era primeiramente tida como o resultado de práticas médicas erradas e não como fruto da ação do diabo ou da vingança divina. Ao que parece, ao início as pessoas pensavam que Frau Troffea estava a fingir e que a dança era apenas para irritar o marido que detestava dança e ver dançar, mas à medida que a noite avançava e Frau Troffea não parava de dançar, as pessoas começaram a perceber que algo se passava. Pior do que isso, só mesmo a existência de mais pessoas nas mesmas condições, no mesmo "transe" (até hoje não se sabe o que aconteceu para esta dança colectiva e sem um fim que não a morte, ter ocorrido). Podemos dizer que esta dança era uma dança ritual, iniciática, mas mesmo quando isso acontecia na Antiguidade, os participantes ingeriam substâncias que lhes provocavam aquele comportamento. Podemos também dizer que esta dança provinha das danças dos primeiros cristãos que se organizava em círculos e com um padre ao centro. Mas aqui não havia padres nem círculos.
É curioso também observar que o padroeiro dos dançarinos é São Vito. São Vito é igualmente o nome de uma cidade italiana onde Sydenahm escreveu o livro Schedula Monitoria e no qual se aborda a questão da dança de São Vito ou Coreia Reumática de Sydenahm. Trata-se de uma doença neurológica que se expressa nos seus pacientes pelos movimentos espasmódicos e involuntários dos membros superiores e inferiores. Isto, obviamente, não justifica as Dançomanias da Idade Média, uma vez que seria altamente improvável que um grupo de pessoas com esta doença, manifestasse ao mesmo dia, à mesma hora e no mesmo sítio a doença. Para mim, isto é um mistério. 
- o carteiro -

ah... as férias:













































































































































































sábado, setembro 30, 2017

Caro Guo Xi

Quem lhe escreve é a Sofonisba Anguissola. A beluga solicita-me que peça desculpa por não ter respondido antes, mas foi uma semana difícil. Não farei a defesa da Princesa Diana em termos absolutos, mas somente em relação ao tempo em que a conhecemos: os anos 80 e 90. Os anos 80, de facto, e como deve saber daqui, não foram muito simpáticos para a figura humana: a moda dessa década padecia do horror vacui e por isso era necessário muito pouco para se ser uma drama queen (ou king). E ela, aconselhada pelos designers da época cometeu todos os crimes de moda que possamos imaginar. Mas como digo, a culpa não era dela, mas do tempo dela. Lembra-se da Dinastia ou do Dallas? Uma jovem de vinte e poucos anos surgia ali como a Jackie Collins que tinha... puf... ninguém sabia que idade ela tinha! Um vestido podia ter uma só manga com folhos, ser drapeado, estampado, curto à frente e com cauda. Tudo num só vestido. Só nos anos 90 é que a imagem dela se tornou mais jovial, porque a moda também se tornou uma coisa menos elitista e passou a estar disponível a mais pessoas. As modelos eram-no cada vez com menos idade e o leque de opções tornou-se mais alargado. O vestido às bolas no Japão é enjoativo face aos padrões de hoje. Quem é que veste integralmente bolas vermelhas? Só as moças vintage. Mas face ao seu tempo, foi um fashion statement. E deve ter sido divertido.
 


 

quinta-feira, setembro 28, 2017

é minha impressão ou o Rui Moreira pintou o cabelo? e se sim, qual é o tom? Garnier 255-Asa de Corvo? Olia 323-Ébano do Bornéu? Ou será o especial da L'Oréal - Hommage pour António Calvário?

quarta-feira, setembro 27, 2017

- o carteiro -

aialta*

ele - temos de falar.
eu - sim.
ele - como sabe, vou reformar-me no final do ano. Você era a única paciente que eu ainda atendia pois nestes últimos tempos tenho passado as consultas para a Dra. X.
eu - sim...
ele - como tem passado?
eu - bem.
ele - então o que fazemos? Passo-a para ela?
eu - Não. O que tinha ficado combinado, já na consulta de Junho ou Julho, era que esta seria a nossa - a minha, para falar a verdade - última consulta.
ele - Veja lá, se sentir que precisa posso passar o seu processo para ela.
eu - Não, claro que não! Para falar do quê?
ele - Foi isso que eu pensei.
eu - Tenho pena que se vá reformar.
ele - Eu não! Há tantas coisas que quero fazer e às quais não me dedico por causa da psiquiatria. Não nasci psiquiatra e acho que não devo morrer psiquiatra.
eu - Veja lá, não fique deprimido! Ainda me vai entrar aí numa anorexia ou coisa que o valha!
ele - Acho que não...
eu - bom, então é agora que nos despedimos...
ele - sim..., mas sabe que sempre que necessitar de alguma coisa, pode contactar-me.
eu - caramba, foram vinte anos. Quer dizer... quase vinte.
ele - posso ir ver ao computador.
eu - não... foi há tanto tempo que os processos ainda eram em papel.
ele - ...
eu - ...
ele - então... agradeço-lhe...
eu - não, eu é que lhe agradeço. sabe que isto tudo, estas nossas consultas podiam ter corrido muito mal.
ele - pois podiam. e você deu luta!
eu - fui uma anorética aplicada!
ele - ...
eu - agradeço-lhe a ajuda, o facto de nunca ter feito disto uma lamechice, o bom humor e até o lado educativo destas vindas aqui.
ele - sabe que não tenho muito jeito para ouvir essas coisas... mas também lhe agradeço por ter tornado estas consultas mais interessantes, inteligentes e até criativas.
eu - também não tenho muito jeito para ouvir essas coisas...
ele - ...
eu - bom, eu vou indo para a porta...
ele - adeus.
eu - adeus.

* a alta

terça-feira, setembro 26, 2017

- original soundtrack -

tão bonitinha esta música... É dos Jackson 5, mas descobri uma versão melhor (não gosto da voz de menino do Michael Jackson nesta música) do que a original, cantada por uma moça - vá gozem à vontade - que participou num concurso de talentos na Holanda e agora é "big in L.A.". Vejam o link e gozem à vontade comigo. Eu, arrepio-me e isso é mais importante que manter uma certa ideia de intelectualidade. Isso e o verso "And I wonder, who's loving you?"

When I had you
I treated you bad
And wrong my dear
And girl since,
Since you went away
dontcha know?
I sit around
with my head hangin' down
And I wonder
Who's loving you

I, I, I, I should have never ever
Ever made you cry
And girl since
Since you been gone
Dontcha know
I sit around
with my head hangin' down
And I wonder
Who's loving you

Life without love
Is oh so lonely
I dont think
I dont think
I'm gonna make it

All my life
All my life, yeah
belongs to you only
Come on and take it girl
Come on and take it!
Because,
Ahhhh
All I can do
All I can do
Since you been gone is cry
And you, oooh

Dontcha know?
I sit around
With my head hanging down
And I wonder
Who's lovin' you
(Who's lovin you)
Who's lovin you.....

(Who's loving you, Jackson 5, interpretação de Jennie Lena)
- não vai mais vinho para essa mesa -

aquele momento, antes de te deitares, em que colocas no rosto creme de dia em vez de creme de noite e depois, para enganar a pele, dormes com a luz acesa. 
- o carteiro -
 
dizem que por trás de um grande homem há sempre uma grande mulher. eu acrescento, porque serve o propósito deste post, que por cima de uma dessas grandes mulheres que está atrás de um desses grandes homens, está sempre um vestido irrepreensível. Já sei que estão a pensar: "mas que fútil que ela é!". Pois sou. Mas mesmo assim resolvi-me a escrever sobre a diplomacia e o vestir. Porque a roupa fala e não é ouvida somente por quem se move no meio da moda. E porque mesmo quem tenta tapar os ouvidos, não fecha os olhos.
 
Um dos melhores exemplos de como uma peça de roupa pode aproximar culturas diferentes e elevar a outro patamar os seus intervenientes, é o vestido às bolas que a ida Princesa Diana usou na viagem oficial ao Japão em 1986. Vocês podem pensar que o vestido não tem nada de especial, mas posso dizer-vos que tem. Não estava incluído na lista de indumentárias que a princesa iria usar nessa visita oficial, mas foi adquirido antes mesmo da viagem e foi de facto uma escolha inteligente já que as bolas vermelhas sobre fundo branco, mimetizam a bandeira do Japão. É uma homenagem ao país, à sua cultura e como que um sinal de abertura do Ocidente ao Oriente. Não que o Oriente se preocupasse com isso, mas o vestido mostra uma preocupação em agradar, em integrar, o que nunca foi apanágio da Grã Bretanha.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Outros momentos que revelam a inteligência na escolha do que vestir, foram as visitas oficiais realizadas a países islâmicos como o Egipto e o Paquistão. Tanto nunca caso como no outro a princesa vestiu trajes em tons de verde. Para nós pode não significar nada, mas para o Islão o verde é a cor do profeta, ou pelo menos do seu turbante. E quais as cores da bandeira do Paquistão? Verde e branco. Ora nem de propósito, verde a branco eram as cores da bandeira do Egipto entre 1922 e 1958, sendo que em ambas está presente o crescente e as estrelas, símbolo que para os muçulmanos equivale à cruz nas suas diversas formas, usada na linguagem pictórica do Ocidente.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Paquistão, 1996
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Egipto, 1992
 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A roupa passa mensagens, comunica quando as palavras não o podem fazer ou não são suficientes. Um vestido preto num funeral, fala de luto, de dor e de tudo aquilo que as palavras, nestas ocasiões, não conseguem dizer. (Se for numa festa - com um simples vestido preto em nunca me comprometo - assegura uma noite sem vergonha nem tendência para o ridículo. Como diria uma personagem de um livro: é bonito e não ofende). Não terá sido por isso de estranhar que quando, no final do ano passado, Hillary Clinton se dirigiu aos apoiantes após a sua derrota, vestiu um dos seus tradicionais fatos (calças e casaco) em tons roxo e preto, que, mais do que as cores do luto, são as cores de uma união que deve ter sido um sapo difícil de engolir para os democratas. Nessa mesma ocasião, o antigo presidente Bill Clinton apresentou-se com uma gravata roxa sobre fato preto. Há quem diga que o roxo fala de união, enquanto preto fala de dor. Temos de voltar um pouco mais atrás para compreender esta ideia de união. Nos seus três debates televisivos com Trump, Hillary vestiu o mesmo modelo de fato (calças e casaco) em três cores: no primeiro debate vestiu vermelho, no segundo, optou pelo azul escuro e no terceiro o tom foi o branco. Foi dito na altura que Hillary usava o branco em homenagem às sufragistas, que escolheram essa cor para o seu movimento. As outras duas cores, azul e vermelho, representam os dois partidos americanos: vermelho para os republicanos e azul para os democratas. Ora o roxo é não mais que a mistura dessas duas cores e de facto, no seu discurso, a candidata derrotada falou de união:
 
"We have seen that our nation is more deeply divided than we thought…But I still believe in America, and I always will. And if you do, then we must accept this result and then look to the future."
























Quando mostramos preocupação com a roupa, com o vestir - e ainda mais porque falamos de sapatos há pouco tempo - as pessoas tratam-nos por vezes de forma condescendente como se o vestuário e a preocupação com ele devesse ser somente ao nível das satisfação das necessidades básicas (estar quente, estar coberto) e tudo o resto fosse uma futilidade. Pode até ser e os exemplos que trago em seguida mostram o vestuário mais como forma de diversão, do que de comunicação ou interação a um nível tão elevado quanto o uso do verde no Paquistão. Em dois momentos diferentes, as mulheres da família real monegasca mostraram saber vestir com inteligência, humor e, mais importante de tudo (e certamente uma das regras de bem vestir), de acordo com a ocasião. Eis pois a Princesa Charlotte do Mónaco na inauguração de um Clube de Vela em Monte Carlo a usar um vestido com um estampado de guarda sóis abertos e outros fechados e a Princesa Charlene a usar, aquando de uma das edições do Grande Prémio de Monte Carlo, um vestido com um estampado que imita o rasto deixado por um carro em alta velocidade (vêem o carro de corrida a azul/verde do lado direito?). Não sei se isto é diplomacia, mas é sem dúvida divertimento, o que de resto corrobora a ideia subjacente a algumas destas pequenas monarquias: são decorativas. E não há mal nisso. Antes decorativas que aborrecidas.


 
- o carteiro -

[1]
Não sabe o que ler? Equaciona Norah Roberts? O Peixoto tenta-o? Antes que esse problema se transforme num caso de saúde pública, consulte este site.

[2]
Agora que os selecionados de 2017 vão a exposição, é altura de nos perguntarmos "What Has the Turner Prize Ever Done for Us?"

[3]
um triste amanhecer...

[4]
Objectivo 2018

sexta-feira, setembro 22, 2017

- o carteiro -


(Vou-me embora pra Pasárgada, Manuel Bandeira)

Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconsequente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive

E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada

Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar

E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.

quarta-feira, setembro 20, 2017

Caro Jorge
 
Não nos conhecemos (acho eu), mas vou trata-lo por Jorge. Peço desculpa por responder somente agora. Apesar de ter apagado o seu primeiro comentário, sei o que comentou pois o Blogger guarda isso tudo. Nada lhe escapa, malgré nous!... É pois a esse comentário que vou responder, apaziguada que está a cólera da guilda de São Lucas, mais preocupada com o preço dos pincéis de marta e do lápis-lazúli do que com o século XXI. Permita-me que discorde de si quanto aos rostos em Vermeer. Não me parece sequer que o Vermeer estivesse preocupado com as expressões faciais, até porque nos seus quadros a temática não permite variar as expressões faciais. Vejamos que os seus coetâneos também não abusam da expressão facial, à excepção das cenas de taberna, talvez. Acho que para o Vermeer a pessoa era só um veículo para um acto, um gesto, esse sim repleto de pontos de interesse, de pormenor e que ele escalpelizava com todo o afinco. Quanto à rapariga do brinco de pérola, ela parece-me apanhada como numa fotografia. Sabe quando somos chamados, olhamos para trás e alguém dispara a máquina? Assim mesmo. Há um outro quadro, para além deste da Rapariga com o Brinco de Pérola, onde o rosto é de facto o rosto de alguém em particular. Com ou sem expressão, não sei (não sei se no século XVII as expressões faciais eram assim muito variadas). Trata-se de Girl With a Red Hat (aqui)
 
Desculpe discordar de si.
Mas volte sempre que desejar!




 

terça-feira, setembro 19, 2017

- original soundtrack -
 

















Estava em casa, na varanda, a olhar para a cidade e para as mil luzes da noite e lembrei-me desta música:
 
Are you lonesome tonight,
Do you miss me tonight?
Are you sorry we drifted apart?
Does your memory stray to a brighter sunny day
When I kissed you and called you sweetheart?
Do the chairs in your parlor seem empty and bare?
Do you gaze at your doorstep and picture me there?
Is your heart filled with pain, shall I come back again?
Tell me dear, are you lonesome tonight?
 
I wonder if you're lonesome tonight
You know someone said that the world's a stage
And each must play a part.
Fate had me playing in love you as my sweet heart.
Act one was when we met, I loved you at first glance
You read your line so cleverly and never missed a cue
Then came act two, you seemed to change and you acted strange
And why I'll never know.
Honey, you lied when you said you loved me
And I had no cause to doubt you.
But I'd rather go on hearing your lies
Than go on living without you.
Now the stage is bare and I'm standing there
With emptiness all around
And if you won't come back to me
Then make them bring the curtain down.
 
Is your heart filled with pain, shall I come back again?
Tell me dear, are you lonesome tonight?
 
(Are you lonesome tonight?, Elvis Presley)
- não vai mais vinho para essa mesa -

beluga - então?
beluga - então o quê?
beluga - nunca mais apareceste...
beluga - pois não.
beluga - porquê?
beluga - por nada.
beluga - muito trabalho?
beluga - nem mais nem menos do que o habitual.
beluga - algum problema de saúde?
beluga - não, nenhum. tudo bem da cabeça aos pés.
beluga - um namorado novo?
beluga - nem novo nem velho.
beluga - isso é um sim?
beluga - é um "não tenho namorado se é isso que estavas a perguntar".
beluga - namorada, talvez.
beluga - não.
beluga - hum...
beluga - hum... o quê?
beluga - nada. acho estranho, só isso.
beluga - o quê?
beluga - não haver "mouro na costa"
beluga - "o meu corpo é o meu templo".
beluga - e o coração?
beluga - não separo uma coisa da outra.
beluga - ...
beluga - ...
beluga - lamento que o coração esteja assim.
beluga - não lamentes. não é caso para lamentar. é o que é...
beluga - ...
beluga - ...
beluga - hum... então?
beluga - então nada.
beluga - nunca mais escreveste.
beluga - estou a escrever agora.
- o carteiro -

dizem que nunca se deve avaliar um livro pela capa. não concordo. basta ver as capas dos livros da editora Quinta Essência, por exemplo. O que não se deve avaliar pela capa, é uma pessoa. Para isso, bastam os sapatos:

 
 
E para não dizerem que sou muito crítica, deixo-vos aqui o perfil da beluga a partir de um dos seus pares de sapatos:
(uma vergonha)

quarta-feira, julho 12, 2017

- o carteiro -

já há uns tempos (quer dizer, desde que comecei a escrever no/o Belogue) que me interesso por uma questão para a qual não sei se existe algo escrito. Lembro, a propósito disto e em tom introdutório, da leitura que fiz, aos 17 anos, do Inferno de Dante. Nela, o que mais me ficou na cabeça, foi a impossibilidade de qualquer condenado fugir ao inferno ou mesmo ver a sua pena atenuada. No Inferno não há fim, não há limite, não há alívio, não há retorno ao que antecedeu o Inferno (apocatástase). As paredes do Inferno têm quilómetros de espessura e as torturas são indescritíveis. São torturas que ultrapassam os próprios crimes de forma que a ideia de justiça não se aplica aqui. O Inferno é um crime; o Inferno é o crime. O Inferno nem sequer proporciona a cura pela doença (aplicação de uma pena igual ao crime de forma propedêutica e dissuasora de crimes futuros). Não, o Inferno é já independente do crime em si.

Não é o Inferno que me traz aqui, mas sim, a ideia de uma condenação, um castigo eterno que não é apanágio da cartilha cristã. Desde que começou a existir a ideia de um sobrenatural infalível, de algo superior que rege as nossas vidas, antes das religiões do livro, essa superação da dimensão do bem pela dimensão do mal, existia já. Quero com isto dizer que desde que o homem definiu, para justificar fenómenos que não explicava pela lógica, seres superiores a si em moral e autoridade, o castigo eterno está presente. É que quem acredita na força superior e maior que nós, tem a vida eterna. Não estou a falar da vida eterna do Cristianismo. Esta "vida eterna" refere-se a uma vida de aceitação e, portanto, de comunhão, de integração. Mas quem não acredita no sobrenatural, recebe - porque não é possível viver integrado e comunitariamente sem partilhar com a comunidade princípios básicos - um castigo: a condenação eterna. E essa condenação é superior à não partilha de uma crença generalizada.

Como disse, não é o Inferno que me traz aqui, já que o Inferno é somente uma imagem criada pela religião. O Inferno porém faz todo o sentido para um Deus que é omnipotente. É algo que está ao seu nível, ao nível da sua grandeza. No diâmetro oposto, mas ao nível de Deus. Mas e quando os nossos deuses são imperfeitos, têm uma aparência humana não só fisicamente, mas também de carácter? O que acontece quando os deuses são invejosos, ciumentos, vingativos, apaixonados, cruéis... Pode existir um Inferno? Pode. Mas esse Inferno não é um local (como dizia Dante), nem uma ideia (a culpa, o arrependimento...). Esse Inferno é o cansaço, a rotina, a repetição. Pior do que o castigo, é sempre o castigo. Já nem dói, já não custa, mas continua ad eternum. E a mitologia clássica usa e abusa do castigo eterno e nihilista. Apresento quatro casos, mas certamente haverá mais:
- Prometeu que roubou o fogo aos deuses: Zeus decidiu castiga-lo agrilhoando-o no Cáucaso. Todos os dias o seu fígado era devorado por uma águia e todos os dias, o fígado se regenerava, repetindo, no dia seguinte todo o processo.
- Sísifo que se vingou da mulher por esta ter assassinado os filhos de ambos: Como castigo, foi obrigado a carregar até ao topo de uma montanha, uma pedra de grandes dimensões. Porém, chegada ao topo da montanha, a pedra rolava pela outra encosta abaixo e tudo se repetia outra vez e outra vez e outra vez...
- Tântalo que foi castigado por servir carne do próprio filho aos deuses: Como castigo, foi colocado num tanque com água, sob uma árvore frondosa e frutífera. Mas sempre que tentava beber água, esta descia até desaparecer e quando tentava alcançar um fruto da árvore, o vento afastava os ramos.

Como vemos isto não acontece tudo no Hades, no Inferno da mitologia. Prometeu sofre o seu castigo em outro lugar e nenhum destes castigos ocorre após a morte dos seus protagonistas. Eles pagam, por isso "em vida". Talvez porque não existisse a ideia de vida para além da morte, o castigo tinha de ser em vida. E talvez pela severidade destes castigos que, ainda que ficcionais, eram exemplares; pela sua desproporção face à gravidade do crime, pela sua repetição sem nexo, o Cristianismo - que propunha uma vida para além da morte onde os castigos eram só mesmo para quem tinha praticado o mal - granjeou adeptos nas franjas do Império e floresceu. O seu Inferno era só para depois da morte. E da morte nunca ninguém regressou para contar como era.

segunda-feira, maio 15, 2017

"Come what may, bad days shall pass, exactly like all the others"*
 
Shakespeare (mas-também-pode-ser-uma-máxima-sufi-ou-um-versículo-bílico.-de-qualquer-forma-faz-todo-o-sentido-neste-momento.-e-nos-seguintes-também-fará.)
 
*"Aconteça o que acontecer, os dias maus passarão, tal como todos os outros"

domingo, maio 14, 2017

- original soundtrack - 
Chico, até já!
 
(...)
Ah, eu quero te dizer
Que o instante de te ver
Custou tanto penar
Não vou me arrepender
Só vim te convencer
Que eu vim pra não morrer


De tanto te esperar
Eu quero te contar
Das chuvas que apanhei
Das noites que varei
No escuro a te buscar
Eu quero te mostrar
As marcas que ganhei
Nas lutas contra o rei
Nas discussões com Deus
E agora que cheguei
Eu quero a recompensa
Eu quero a prenda imensa
Dos carinhos teus

(Sem fantasia, Chico Buarque e Maria Bethânia)