terça-feira, janeiro 15, 2013

- ars longa, vita brevis -
hipócrates

antes e depois ou "ora bem, ora bééééém. já tinha aqui feito um conjunto de posts sobre quadros do delacroix e do rembrandt de que o van gogh tinha feito uma atualização (aqui, aqui, aqui...). até houve um blog que fez referência a isto, mas entretanto perdi o fio à meada e esqueci-me de procurar mais. já sei que devia "tagar" os posts mas isso para mim é pimp my blog e eu gosto da coisa assim: rústica, com pelos nas pernas, do campo, a cheirar a binho, logo pela manhã... bem, não sei se vi primeiro o antes ou o depois, mas acho que vi primeiro o depois e disse para comigo: "X, isto não é coisa do Van Gogh. Se tem título de passagem bíblica, não é coisa dele." depois, e como andava a fazer uma investigação acerca do Rembrandt (sim, porque eu sou como o Artur Batista da Silva: o Met e o MoMA não sabem, mas eu sou voluntária nos dois!), achei que aquela expressão da personagem loira, com o braços levantados no momento fotográfico, era postável. e era postável em relação ao Van Gogh, ou vice versa. sou suspeita porque gosto do van gogh e não aprecio por aí além rembrandt...
estes quadros contam a história da morte e ressurreição de Lázaro de Betânia, irmão de Marta e Maria (sim, essas mesmo: da vida contemplativa e da vida ativa. a propósito, foi esta Maria que lavou os pés de jesus e os enxaguou com os cabelos. não foi uma prostituta qualquer!). eu acho esta história da ressurreição de Lázaro excelente. a sério, acho mesmo! Jesus curou paralíticos (São Tomás de Villanueva também), fez o cego ver e outras maravilhas. Mas santos houve a quem também foram atribuídos milagres. Ressuscitar porém... Jesus e Lázaro são os únicos, ao longo da história dos homens cristãos que ressuscitaram para a vida. O quadro de Rembrandt nem é muito grande, mas deverá fazer parte daquele conjunto de quadros que os artistas Flandres pintavam a retratar grandes cenas históricas, como se estas estivessem a acontecer no momento. Embora os temas religiosos não fossem os preferidos dos países protestantes,  artsias como Rembrandt pintaram-nos e os encomendadores, que não eram da Igreja, pediam-nos. As cenas religiosas podiam ser encomendadas pelas corporações das diferentes profissões como forma de estas mostrarem o seu altruísmo. A forma como estas cenas eram pintadas, isso sim era diferente. Um exemplo é a crucifixão de Brueghel, no Museu de Belas Artes em Budapeste que é feita de longe e com tanta gente que este não parece ser o tema principal. Ou então uma outra de Lucas Cranach, em Munique, que foi feita "de lado". Bem, mas o que me traz aqui é Rembrandt e Van Gogh. Rembrandt pinta a cena num local escuro, como se Lázaro estivesse a ressuscitar vindo das trevas. Toda a cena é marcada pelo espanto e por cerca de 5 personagens para além de Lázaro. Van Gogh reduz a cena a duas testemunhas e pinta-a de dia. Segundo João 11 o episódio deverá ter ocorrido algures in between. A de van Gogh parece-me mais genuína já que o regresso de uma pessoa para a vida deverá ser algo celebrado e isso nota-se mais nas cores vibrantes do quadro de Van Gogh. Mas prontos (como se costuma dizer). beijinhos e abraços:  


















Harmenszoon van Rijn Rembrandt
The Raising of Lazarus
c. 1630
Los Angeles County Museum of Art, Los Angeles












Van Gogh
The Raising of Lazarus
1890
Van Gogh Museum, Amesterdão

2 Comments:

Blogger alma said...

Van Gogh, desde pequena que é um dos meus...

15/1/13 11:09 da manhã  
Blogger beluga said...

não sei bem... tive uma altura, como toda a gente, que adorava renascimento e miguel ângelo. depois tive uma fase de pré-rafaelitas, depois van gogh, depois caravaggio. agora estou no caravaggio e penso que a minha "cena" é pintura figurativa. mas espero pelos próximos semestres para rever o tristan tzara (adoro este nome), o francko b. e outros in between.

15/1/13 11:05 da tarde  

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