segunda-feira, janeiro 09, 2012

- não vai mais vinho para essa mesa -

mas podem trazer o Freud, a Alexandra Solnado e a Heloísa Miranda para ver se percebo isto.

Sonhei um sonho muito estranho. Sonhei que estava interessada num tipo que era chef. Não me lembro da cara dele, nem de nada daquilo que sentia em concreto, mas lembro-me que estava interessada nele e ele em mim. Pelo menos pareceu-me. Acontece que os restaurantes e as cozinhas onde nos encontrávamos se situavam debaixo do solo. Entrávamos para lá através das tampas de saneamento. Entretanto, subo ao solo. Encontro-me junto da divisão de um palácio, daquelas divisões com tetos estucados , lustres em cristal e cortinas pesadas em veludo adamascado. Entro. Estou ali para entregar um papéis para serem assinados. Ao entrar reconheço uma voz: o R. que fica a olhar para mim. Volto-me de costas, coro e os meus lábios duplicam de volume. Quando me volto de frente, ele estava sentado a acabar de assinar os papéis e em vez de entregá-los, começa a atirá-los para o chão, um a um. Perguntei-lhe se ele esperava que os apanhasse. Perguntou-me qual era o problema. Respondi-lhe que era preciso ter respeito. Ele apanhou os papéis e deu-mos, embora contrariado. Saí dali em fúria, a chamar-me nomes feios baixinho. Enquanto caminho ele passa por mim sem dizer uma palavra. Com a fúria ainda maior deixei-me ficar para trás e rasguei os papéis. Falei para o ar que "era inadmissível" e mais não sei quê... Volto a encontrá-lo na rua, junto a um sinal de trânsito. Tinha três filhos. Embora ele me fizesse enormes declarações de amor, referisse as saudades e a felicidade em me ver, eu só conseguia repetir: "tu fizeste três filhos? três filhos?" (acho que esta parte é de resquícios do Vale Abraão do Oliveira. A Ema do filme também fez três filhos. Só que no caso dela os filhos eram uma forma de se vingar do marido, no marido. Tinha filhos dele para lhe mostrar que ele não se lhe podia recusar-se). Sem que me desse conta o cenário mudou. Estava agora a subir uma rua de saltos altos, caminhando em direção a um escritório envidraçado. A calçada era em granito. Entro sem falar com nenhum dos presentes - que de resto não conhecia - olho para uma das secretárias à procura do ZP, mas não o encontro. Quando ia a sair e a descer a rua, vejo-o à minha frente, apressado, também a descer a mesma rua. Mas como estou de saltos altos, não consigo acompanhar o passo dele. Ouço-o dizer que vai tomar um atalho. De imediato fui transportada para o interior de um automóvel. À frente vai um amigo, o João (o João vai a conduzir quando na realidade nem tem carta) e ao lado o ZP. Em vou atrás. Para encurtar caminho o João decidiu fazer quilómetros de marcha atrás na autoestrada, com o objetivo de chegar a um saída onde supostamente tudo seria mais rápido. Mas eis que volto à rua, e às tampas de saneamento. Tento abri-las uma a uma, mas em todas alguém tapou os buracos com terra. Sem mais remédio, acordei.

4 Comments:

Blogger AM said...

siga para bobine, já

(é bobine que se escreve?)

9/1/12 10:42 da manhã  
Blogger alma said...

Beluga,
Anda a ler Kafka?!
Peça um subsidio e faça o filme ...

9/1/12 12:03 da tarde  
Anonymous ana said...

se pensasses nisso não saía tão bem.
(eu esta noite sonhei que estava a chatear a minha gata preta, então ela para me mandar calar, começava a cantar canções de natal, e funcionava) (há sonhos e sonhos, há quem tenha classe e quem não tenha :) )

9/1/12 12:14 da tarde  
Blogger beluga said...

Caro António:
é como quiser. assim como maqueta para mim é maquete e acho que não vou mudar. sabe que um dia destes estava a pensar que estes sonhos são melhores do que os filmes surrealistas do dali e do outro espanhol cujo nome não vou escrever porque não consigo colocar o til sobre o "n". pelo menos os meus sonhos não têm títulos que depois frustrem as expectativas das pessoas (como o cão andaluz quando no filme não aparece nenhum cão). se calhar era essa a (i)lógica.

Cara Alma:
Não estou a ler Kafka. (Por acaso tinha andado a ler os apontamentos de Literatura Comparada, por isso é que no sonho aparece a cena dos três filhos, como a Ema do Oliveira). Não estou a ler kafka, mas tenho aqui no computador, nas minhas leituras futuras aquele que acho que se chama "Na colónia penal". o problema é ser em pdf, porque gosto mais do papel.

Cara ana:
acho que o teu sonho teve classe. as canções de natal devem ter sido por teres desfeito a árvore, não?. mas olha que se a tua gata é assim um prodígio, manda-a aqui para casa porque eu durmo por períodos de duas horas. a cada duas horas, acordo.
mas já viste se fizéssemos pequenos filmes com os nossos sonhos?

9/1/12 11:22 da tarde  

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