quinta-feira, julho 23, 2009

- ars longa, vita brevis -
hipócrates

antes e depois ou "aie, que eu vou dizer ao teu paie, que tu copiaste o Richereeee!", ou "ah pois é! Cruzam-se as comadres, descobrem-se as verdades", ou como "não é bem assim, mas é quase", ou como "embora digam que Duchamp foi influenciado pelo cinema e pelo trabalho de Eadweard Muybridge, "Locomoção Humana", para mim foi influenciado pelo médico e anatomista francês Paul Richer, pelo menos neste caso. Pode ser que no geral o trabalho de Duchamp tenha sido influenciado pelo cinema, mas no "Nu descendo uma escada nº2", a referência é "Physiologie artistique de l'homme en mouvement", um conjunto de desenhos que Richer fez referentes ao estudo do corpo humano em movimento, como o nome indica. No entanto a sua especialidade era o estudo das doenças mentais como a epilepsia (chamava-se epilepsia histérica). Com a observação de tantos modelos vivos, Richer começou, primeiro a desenhar o corpo humano e depois a esculpi-lo, mas não, na minha opinião, com uma intenção artística. Nota-se nos seus trabalhos o gosto pelo pormenor, mas o seu traço (principalmente na escultura) não é expressivo; falta-lhe naturalidade, originalidade. É demasiado centrado na aproximação ao realismo para ser livre.

De Duchamp já se sabe tudo: pioneiro e principal representante do Dadaísmo, começou influenciado por Cézanne e fez uma incursão pelo Cubismo e pelo Futurismo. É desta época o quadro que aqui mostramos, "Nu descendo uma escada nº2". Foi realizado com a ajuda de uma nova técnica cinematográfica e fotográfica chamada fotocromografia. Com isto Duchamp juntou as essências dos dois movimentos: nota-se o movimento do corpo do Futurismo e as várias camadas de perspectivas do Cubismo. No entanto, como o corpo se desintegra e deixa de ser figurativa não é fiel ao Cubismo e como não faz a apologia da máquina, não agrada a Futuristas que mandam o pintor francês retirar a obra do Salão dos Independentes. É também a partir daqui que Duchamp deixa de lado a arte - voltando a ela mais tarde e através da máquina e do ready-made - por ter sido mal aceite entre os artistas franceses. A obra foi, no ano seguinte, um sucesso no Armory Show em Nova Iorque.”

Paul Richer
Descente d'un escalier
1894


Marcel Duchamp
Nu descendant un escalier nº2
1912-14
Philadelphia Museum of Art

3 Comments:

Blogger João Barbosa said...

para mim uma descoberta. desconhecia o estudo.

23/7/09 9:47 da manhã  
Blogger AM said...

que vergonha
que delícia

23/7/09 8:23 da tarde  
Blogger beluga said...

Caro João Barbosa:
aie, vou dizer ao seu paie! De facto não me parece ser um tipo muito conhecido, o Richer, mas ainda tem alguma coisa no Louvre ou no Museé D'Orsay.

Caro AM:
E só para não ter "inbeja": aie que eu também vou dizer ao seu paie. Presumo que ache vergonhoso o Duchamp, um homem crescido andar a ser copião, e que para si seja uma delícia que ele tenha sido apanhado... quer dizer, Kind of!

24/7/09 12:05 da manhã  

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