quarta-feira, setembro 07, 2011

- ars longa, vita brevis -
hipócrates

este título podia mudar, mas não conheço nenhum que me pareça, portanto fica este.tinha muito para dizer, mas não posso. por isso, vamos ao post. dizem que Andrew Wyeth foi muito marcado, neste quadro e em outros que datam de cerca deste ano, por uma mudança que ocorreu na sua vida: o pai morreu, 3 anos antes num acidente de viação. [chiça, estou mesmo irritada com esta porcaria!]. a partir daí os quadros de Wyeth mostram pessoas em atitudes muito mais contemplativas e até, "plantivas", pois tal como esta Christina, outras personagens parecem estar plantadas na sua pintura. Este quadro mostra Christina, uma senhora dos seus 50 anos, da família Olson, família que o pintor conheceu no Maine. A casa que vemos ao fundo é a da quinta dos Olson. E o que tinha Christina? Christina, que aparentemente não tem nada, era uma pessoa que padecia de uma doença degenerativa que a obrigava a deslocar-se em cadeira de rodas, ou na ausência desta, rastejando. É o que Christina faz. Se ela por acaso não deixa transparecer os seus 50 anos (mais ou menos) é porque a cabeça foi pintada tendo como modelo, não Christina, mas Betsy, a futura esposa de Wyeth. A composição é quase assimétrica, mas nunca desequilibrada, pois o corpo de Christina, pesado e preso à terra é compensado pelo casario em cima, à direita. E outra coisa que é muito engraçada (ui, que piada!) é que não obstante as distâncias, Christina é tão nítida quanto a relva e a própria casa. Como vimos, o modelo para a cabeça foi Betsy. Ora o nome do quadro de Richter (que na minha opinião apresenta muitas semelhanças com o quadro de Wyeth) é muito parecido com esse: é Betty, não Betsy. E sim, é uma pintura. Acho que tem outra técnica associada, mas segundo o site do autor são pinturas fotográficas (talvez hiperrealismo, mas sem o consumismo e cultura popular associada). Esta Betty, que os entendidos dizem estar a imitar a postura da banhista de Valpinçon de Ingres, de costas para o observador, é a filha do pintor. Ora a diferença entre a pintura de cima e a de baixo, para além do tempo, é a do conceito. Christina olha para o seu mundo, para a sua casa, mas Betty não olha para nada, ou pelo menos não sabemos para onde ela olha. E como ela ocupa toda a tela, e tapa o que quer que seja que observa, torna-se assim o próprio objecto de observação. Quem olha para a tela não vê o que ela vê, mas vê-a apenas. (os críticos dizem que ela não estava a olhar para o vazio, mas para uma das telas do pai. não sei, não opino). Admirável na técnica, o centro do quadro é o ombro rodado, que sobressai devido ao contraste com casaco colorido sobre o fundo negro. Este quadro foi pintado no mesmo ano em que Richter completou o conjunto de pinturas sobre o grupo Baader-Meinhof, de seu nome October 18, 1977. Tanto num caso como no outro, os retratados desafiam a compreensão geral e até mesmo, a capacidade de qualquer observador se solidariarizar com os mesmos:

Andrew Wyeth
Christina's world
1948
MoMA, Nova Iorque


Gerhard Richter
Betty
1988
The Saint Louis Art Museum

2 Comments:

Blogger AM said...

detesto Gerhard Richter
não percebo essa incapacidade para a solidariedade no caso do primeiro quadro
o Wyeth recorda o Hopper

7/9/11 9:55 da tarde  
Blogger beluga said...

eu também detesto Richter. acho que está uma exposição dele em londres. Quanto à incapacidade para a solidariedade, fale com ele. eu só digo o que aconteceu.

O wyeth recorda o hopper e os dois, ainda que em outro tempo, fazem-me lembrar eakins.

bem, vou indo

9/9/11 12:37 da manhã  

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