quarta-feira, agosto 31, 2011

- ars longa, vita brevis -
hipócrates

antes e depois ou o atraso. já sei que este post está atrasado dentro da blogosfera portuguesa, mas como a blogosfera portuguesa é, para mim, "igual ao litro", vou então postar isto conforme acho melhor. Se neste post notarem que algo de estranho no tom, é porque estou com alergia e constipada (ou só uma das coisas, mas não consigo distinguir), e fico sem paciência para tudo. Pois então soube neste site que o fotografo Andreas Kock fez, para a House of Dagmar, uma marca sueca já com bastante projecção no mundo estando representada, segundo sei, em casas de outras marcas, uma sessão relativa a uma colecção (que desconheço a que estação pertence). A roupa é muito bonita, mas o que me interessa hoje é a estética utilizada por Andreas Hock para fazer este trabalho já que se nota uma forte influência da luz de Hopper, Edward Hopper. Escolhi este exemplo, mas como podem ver no site, existem outros que quando comparados com as pinturas de Hopper apresentam semelhanças. Nunca falámos muito de Hopper aqui, o que é uma pena porque há alguns aspectos nos seus quadros que são bem curiosos. Por exemplo, neste quadro e não obstante a grande quantidade de mulheres nuas ao longo da História da Arte, temos uma tipa que olha, não para nós (como a Venus do Ticiano), para o espelho (como a Vénus do Velazquez) ou para as suas intimidades (como as mulheres que se banham, do Degas), mas sim para fora. E este para fora é para um local onde nós sabemos que não estamos. Ela não nos inclui na cena e olha para algo que é "para-físico" já que não existe, é imaterial, é de onde provém a luz. Logo, esta cena que não deixa de mostrar a mulher banhada a uma luz real, também faz alusão à luz espiritual. Esta oposição entre o físico e o espiritual é constante e repete-se nos tons verdes do chão e nos tons verde das colinas que estão na única janela que vemos (a outra, para onde ela olha, não vemos, apenas imaginamos), e também nas linhas curvas das mesmas colinas e nas linhas curvas do corpo feminino. E a gente a pensar (eu pelo menos, que gosto das coisas todas em gavetinhas para ser mais fácil) que a partir de determinada data esta coisa do espiritual saiu de moda... De facto saiu. Quando foi recuperado, o espiritual foi sempre, como dizer... azeiteiro, parolo. Os pré-rafaelitas, os eduardianos e mesmo alguns movimentos intelectuais da época defendem um retorno às fronteiras interiores, ao sonho e à imaginação como forma de alcançar um estado de espírito menos tristemente perecível. Mas isto, isto é diferente: não há idealização, nem tentativa de recuperação de um passado mais ou menos glorioso. O que há aqui é a tentativa de forja e afirmação do Homem tal como é, mas capaz de superar os seus limites humanos.

Há determinadas considerações que faço nestes posts que são só minhas. Como isto do para-físico.

Hopper
A woman in the sun
1961
Whitney Museum of American Art, Nova Iorque

Andreas Kock
House of Dagmar

3 Comments:

Blogger João Barbosa said...

não percebi as partes em branco

31/8/11 5:33 da tarde  
Blogger João Barbosa said...

gostei do para-físico

1/9/11 9:45 da manhã  
Blogger beluga said...

Olá, boa noite:
Também não estava a ver o que tinha acontecido, mas já está alterado. Quanto ao para-físico, vou-lhe contar: quando escrevo não estou sob a influência de nenhum produto. mas se estivesse não me saía melhor. ou pior, depende da perspectiva. a minha, depende dos dias.

2/9/11 12:27 da manhã  

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