sexta-feira, dezembro 16, 2011


AM:
Fiquei a pensar, coisa que cada vez acontece menos. às vezes acho que este curso nos quer disciplinados, a pensar os movimentos artísticos um de cada vez, sem relações entre os factos e os intervenientes, avulsos, com meia dúzia de bitaites de professores...
mas fiquei a pensar. de ontem para hoje, a minha certeza quanto aos bons artistas terem de ser boas pessoas, desvaneceu-se. a contundência foi-se. a verdade verdade, é que depende muito daquilo que se considera um bom artista e uma boa pessoa. passadas as definições iniciais, ficariam os exemplos. aqueles que conheço melhor, tanto como outra pessoa qualquer é o de Rodin e o de Caravaggio. para mim Rodin foi um escroque com obra sobreestimada. mas mesmo hoje, pegasse eu numa biografia dele, só leria aquilo que quereria ler. de imediato me vieram à ideia os livrinhos da Taschen. mas esses são sempre tão simpáticos... não escolho a impossibilidade de dar uma opinião por razões metafísicas. voltando à biografia. o que escolhi saber do Rodin limitou-me a visão da obra dele. antes disso, antes da Camille Claudel, achava a obra dele genial. talvez eu seja mais sensível às questões del corazon. quanto ao Caravaggio, diz-se que matou um homem, mas isso para mim não faz dele um mau homem. o facto de a pessoa reincidir é que me faz pensar que não tem valores. que quer? a ideia de redenção é parola, mas está-nos nos genes. lembrei-me do Charlie Chaplin que em casa não era assim tão divertido, mas isso não lhe retira nada. lembrei-me também da arquitetura do período nazi e a verdade é que gosto. é horrível dizer isto, mas gosto. e pior que dizer isto é sentir-me culpada por dizê-lo. 
por isso caro AM (e todos quantos quiserem/souberem), peço-lhe um exemplo de alguém, de um artista qualquer, que sendo má pessoa, tenha tido uma obra digna de tal. acho que não sossegarei enquanto não esclarecer isto.

6 Comments:

Blogger AM said...

estou de saída e infelizmente com pouco tempo para pensar e escrever sobre isso
dependerá do que entendermos por "boa pessoa", não é?
imperfeitos (será da "quadra"?) somos todos
como artistas podemos construir essa ideia de uma perfeição absoluta, uma perfeição que a obra (excta) "exalta" (uma ambição que nos pode deixar a... "bater mal"...)
pensei primeiro que tudo, saber lá porquê, em Le Corbusier e no Mies
dois magnificos arquitectos, com muito de censurável no seu comportamento ("ligações" à extrema direita, etc. - é rever os desenhos do Mies com a bandeira Nazi)
e ainda no outro dia lia algo de absolutamente abjecto sobre o "enorme" arquitecto que foi o Loos
não sei (às vezes prefiro nem saber) muito sobre a vida privada dos "meus" artista (e não estou nada interessado em saber se o Gaudi - sei que é um infinito de bom arquitecto - em saber se o Gaudi é "santo"...)
batiam na mulher? davam pontapés nos cães? enganavam os clientes?
agora (nos museus ou nas cidades em ruínas) é tudo pó...

17/12/11 11:41 da manhã  
Anonymous ana said...

o que é "má pessoa"? dizem que wagner não seria muito boa companhia, ao contrário de verdi.

17/12/11 3:17 da tarde  
Blogger AM said...

arquitectura nazi não vou mais além que o Albert Speer
o Siza disse, salvo erro foi o Siza, que não existe arquitectura fascista, existem arquitectos fascistas
agora vou ler este link (quem me parece mais completo que o wiki habitual)

http://en.wikipedia.org/wiki/Nazi_architecture

17/12/11 8:57 da tarde  
Blogger alma said...

eh eh eh
AM,
Trazer um lobo disfarçado de cordeiro para esta conversa é fantástico ...

18/12/11 10:51 da manhã  
Blogger AM said...

o Speer, evidentemente... (eh, eh)

18/12/11 11:29 da manhã  
Blogger beluga said...

Olá Ana:
pois, essa é uma das questões: o que é um bom artista e o que é uma má pessoa. Mas também não nos podemos ficar por aí. depende dos tempos que vivemos tanto a avaliação do homem como do artista. o que me deixa de mal com a arte é não identificar com muitas das coisas que se fazem atualmente e por isso ter de retroceder a um tempo onde tudo fazia mais sentido.

Caro AM e Alma:
por acaso tinha pedido ao pai natal um dos livros do Speer (inside the third reich), mas como ninguém é bom advogado em causa própria...
o que acho (lá estou eu a achar...), é que como na mafia, sair ou ficar não era uma opção. acho que ele estava a par da ideologia toda, mesmo nos seus aspetos desumanos, mas ficar ou sair do partido não dependia dele. se foi bom arquiteto julgando pela sua vida... não sei. sei que a obra é boa. felizmente

19/12/11 12:50 da tarde  

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