segunda-feira, abril 11, 2011

- ars longa, vita brevis -
hipócrates


quatro exposições de moda e uma de arte africana (eu sei que vocês pensam que eu sou frívola, mas eu tenho quase a certeza que não)

[1]
A exposição tem o singelo nome de Yohji Yamamoto e estará aberta ao público de 12 de Março a 10 de Julho no Victoria and Albert Museum. O nome da exposição é o nome do criador japonês que trabalha os tecidos como se de papel se tratasse. Nos anos 80 quando se tornou conhecido, foi exactamente pela sua excêntricidade, visto que apresentou roupas largas, inacabadas e que jogavam com as ideias pré-estabelecidas quanto aos papéis de género ou mesmo quanto à aplicação dos tecidos (usou o velcro e o neoprene), abordagem esta que serviu para mostrar quão divertida podia ser a moda. Usa frequentemente o preto e branco - cores que classifica de minimais e arrogantes ao mesmo tempo. Esta exposição apresenta pela primeira vez os trabalhos para moda masculina e terá exibições adjacentes um pouco por toda a cidade de Londres.

[2]
Menos conhecido é o nome de Madame Grès que dará no entanto origem a uma exposição no Musèe Bourdelle em Paris, ali patente entre 25 de Março e 24 de Julho. O que é que Madame tem? Primeiro, tem o melhor e o pior da época e da profissão: vive numa época em que as costureiras de alta costura começam a ser substituídas por homens. Por outro lado permitem-nos ver como era a silhueta feminina da época vista por uma mulher. Notamos que não obstante a coetâneadade, Dior apresentava uma silhueta em que as formas ficam muito evidenciadas em quando Madame Grès preferia o aspecto cénico da roupa, tanto que incorporou nas suas colecções elementos helenísticos, indianos e africanos. Trabalhava a forma simplificada da linha, o que originava silhuetas muito soltas, colocando ênfase nos pormenores. O melhor exemplo do que escrevo é o vestido drapeado que tanto Richard Avedon quanto Guy Bourdain fotografaram e pode ser encontrado aqui.

[3]
Os espanhóis andam radiantes (isto sou eu a dizer... só para começar o texto). Já não bastava terem um nível de vida mais elevado que o português, ainda conseguiram essa maravilha que foi produzir um costureiro como o Cristobal Balenciaga. Nem vale a pena dizer nada quanto à Fátima Lopes nem quanto ao nosso Augustus que com um nome assim está mais para costureiro de togas do que para outra coisa. Tudo isto para dizer que a partir do dia 26 de Março até ao dia 4 de Julho o de Young Museum em São Francisco vai dar a conhecer a exposição Balenciaga e Espanha. Porque é que é importante? Para já porque foi um grande costureiro, cuja casa ainda continua a dar cartas. Depois porque mais do que trapos, Balenciaga elaborava obras de arte e documentos históricos. Aliás, as cerca de 120 peças presentes na exposição são o reflexo da pintura, história, lendas e artesanato espanhóis.

[4]
A exposição que se segue é dedicada a um homem que bem podia ter inventado aquelas formas de papel dos queques. Chama-se Roberto Capucci e foi um conhecido costureiro entre os anos 50 a 80, altura em que abandonou o calendário da alta costura e dedicou-se ao pronto-a-vestir. São poucos os que o conhecem, mas Marilyn Monroe usava-o, Itália adorava-o e o Cadillac nunca mais foi o mesmo desde que uma publicidade da marca ficou associada aos seus vestidos. A exposição intitulada Roberto Capucci: art into fashion estará patente no Philadelphia Museum of Art até 5 de Junho e contará com mais de 80 modelos do autor, bem como desenhos e vídeos.

[5]
Ah pois é... Angola ainda é o que está a dar. Mesmo na arte. O Musée Dapper em França dedica a Angola, até ao dia 10 de Julho, uma exposição intitulada: Angola, Figuras de Poder. (E que poder!) São cerca de 140 trabalhos que incluem máscaras de diferentes estilos, estátuas, artefactos religiosos insígnias e amuletos evocadores do herói angolano Chibinda Ilunga como forma de assinalar não só o poder actual de Angola, mas também a diversidade de povos (Chokwe, Kongo, Lwena, Lwimbi, Mwila, Ovimbundu) e culturas que se traduziu por um grande número de objectos com o propósito de homenagear os chefes políticos e religiosos.

3 Comments:

Blogger alma said...

que Lista !
segundo o Saul Bellow só um verdadeiro intelectual é que sabe ser fútil LOL


será que posso pedir um empréstimo ao FMI ???

12/4/11 10:45 da tarde  
Blogger AM said...

sem a beluga seriamos todos uns pirosos
(eu, apesar da beluga, sou apenas um comentador fútil & foleiro)

16/4/11 6:07 da tarde  
Blogger beluga said...

Cara Alma:já que ele (o FMI) está cá, pode pedir o que quiser (é para a desgraça, é para a desgraça). Ainda bem que há pessoas que nos fazem sentir que a futilidade é desculpável

Caro AM:
tenho a vantagem de responder após o caso Lello. Acho que o Cavaco anda a precisar de ler o Belogue para ver se fica menos piroso

26/4/11 10:07 da tarde  

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