quinta-feira, outubro 08, 2009

- ars longa, vita brevis -
Hipócrates

antes e depois ou "como este post é, na minha modesta opinião, muito bom. O antes e depois de hoje não é bem um antes e um depois porque não se sabe aqui quem nasceu primeiro, a história de Jonas ou o útero feminino. Consideremos, para facilitar as coisas, que foi o útero feminino que nasceu primeiro da Mão de Deus. Logo o depois deste post é a saga de Jonas. O livro de Jonas pertence ao Antigo Testamento, mas como para existir Jonas era necessário existir uma mãe de Jonas com um útero, assim fica; primeiro o útero e depois o Jonas. Ora o Livro de Jonas, quase desconhecido, conta a história de Jonas. Esta história, muito resumidamente, diz que um dia, Deus envia à cidade de Nínive, cidade que era tradicionalmente, inimiga de Israel. A cidade, segundo Deus, tinha desobedecido às suas ordens. Jonas vai então pregar a palavra divina, mas uma vez em Nínive, foge à sua responsabilidade, metendo-se num barco com direcção a Társis (Espanha. Ou o barco era o Paquete Funchal, ou não sei…). O Senhor vendo isto criou uma tempestade no mar disposta a acabar com a insurreição de Jonas. Os marinheiros aflitos começaram a perguntar a Jonas quem lhes enviava a tempestade e Jonas disse que era o seu Deus. Zangados com atitude de Jonas que provocou a ira de Deus, lançaram-no ao mar e o mar cessou a sua fúria. Os homens recuperaram o amor a Deus, Nínive aproximou-se das leis de Cristo, mas Jonas ficou perdido no mar. Os homens de Nínive, do rei ao mais pequeno súbdito humilharam-se vestindo-se com panos de aniagem e cobriram-se de cinzas. Para castigar Jonas Deus fez com que o profeta fosse engolido por um grande peixe (erroneamente chamado de baleia) e lá permaneceu durante três dias. Jonas rezou durante esse tempo todo e Deus permitiu que o peixe soltasse Jonas.

Esta história tem uma importante mensagem teológica: Jonas representa a mentalidade estreita e vingativa com que se classifica muitas vezes os judeus. Como os judeus eram o povo escolhido, tornaram-se aos poucos impermeáveis à acção de Deus. Esta é uma parábola da misericórdia de Deus. Ora este relevo que aqui mostramos mais não é que a imagem de Jonas a ser expulso do interior do peixe, existente como decoração de uma misericórdia (apoio na parte de baixo de um banco de coro) na igreja of Saints Peter and Wilfrid em Inglaterra.

O útero… é um útero e tem aqui uma relação formal com a baleia. Não vejo outro tipo de analogia que possa ser feita entre a baleia e o útero humano, a não ser que na Idade Média o útero, por ser feminino, era visto como a fonte de todos os males, uma toca, uma boca insaciável, mais do que o berço das nações.



Church of Saints Peter and Wilfrid
1489

8 Comments:

Blogger João Barbosa said...

a Beluga tá lá. tá muito lá. props!

8/10/09 6:59 da tarde  
Blogger beluga said...

não percebi o "props", mas calculo que seja uma expressão "internética". O post está bem, mas o mérito vai para o Jonas que tem uma das histórias mais estranhas da Bíblia.

9/10/09 1:04 da manhã  
Blogger AM said...

eu gosto é de postas com música pop
"my name is jonas"

11/10/09 12:09 da manhã  
Blogger beluga said...

Então...

"My name is Sasha Fierce".

11/10/09 11:26 da tarde  
Blogger Ji|||i said...

só me pergunto se eles na altura lhes tinha ocorrido algo tao genial como a tua versao.

12/10/09 9:41 da tarde  
Blogger beluga said...

Olá Jimi:
Tudo bem?

Tenho a certeza que sim. Aliás, se agora, segundo um estudo as pessoas pensam em sexo, em média, de 15 em 15 minutos, naquela altura deviam pensar nos termos técnicos de minuto a minuto. De qualquer forma fica aqui um link:

http://vrcoll.fa.pitt.edu/medart/image/England/ripon/Furnishings/Misericords/Ripon-misericords.html

14/10/09 12:01 da manhã  
Blogger Brontops Baruq said...

Mestre Jonas,
de Zé Rodrix

Dentro da baleia mora mestre Jonas,
Desde que completou a maior idade,
A baleia é sua casa, sua cidade,
Dentro dela guarda suas gravatas, seus ternos de linho.
E ele diz que se chama Jonas,
E ele diz que é um santo homem,
E ele diz que mora dentro da baleia por vontade própria,
E ele diz que está comprometido,
E ele diz que assinou papel,
Que vai mantê-lo dentro da baleia,
Até o fim da vida,
Até o fim da vida.
Dentro da baleia a vida é tão mais fácil,
Nada incomoda o silêncio e a paz de Jonas.
Quando o tempo é mal, a tempestade fica de fora,
A baleia é mais segura que um grande navio.
E ele diz que se chama Jonas,
E ele diz que é um santo homem,
E ele diz que mora dentro da baleia por vontade própria,
E ele diz que está comprometido,
E ele diz que assinou papel,
Que vai mantê-lo dentro da baleia,
Até o fim da vida,
Até o fim da vida,
Até subir pro céu.

16/10/09 3:26 da manhã  
Blogger beluga said...

Caro brontops:
gostei muito, obrigada. e vou estar atenta a estas pérolas. realmente a maitê proença não retirou nada no encanto que acho que os brasileiros merecem e têm: só vocês para fazerem um poema tão pungente sobre uma história bíblica tão mal explicada.

A vida está difícil e uma baleia mansinha deve ser um bom lugar para viver.

Volte sempre!

19/10/09 1:19 da manhã  

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