quinta-feira, janeiro 31, 2008

- o carteiro -
boletim meteorológico

mau tempo na conduta:
não há dúvida que os edifícios construídos em Pequim para a recepção aos Jogos Olímpicos de 2008 são muito bonitos. eu gosto. uou outra pertinência pseudo, mas no final, na observação dos renders, parece tudo muito bem. os edifícios são amigos do ambiente, dos visitantes, amigos das equipas, amigos de toda a gente, menos de quem os construiu. não há espaço em Pequim para quem está a construir. os trabalhadores vêm do interior do país e enquanto a obra dura trabalham nas piores condições sujeitos a salários baixos, condições de trabalho más e poucos direitos. e qual é o papel do arquitecto nisto? deve um arquitecto, de renome, aceitar um projecto num país como a China que ainda hoje se vê a braços como os direitos humanos? deve Zaha Hadid aceitar construir no Azerbeijão, um país que não conhece a democracia, o memorial para o antigo membro do KGB, ditador e representante do país Heydar Alirza oglu Aliyev? deveria Foster ter aceite o projecto de construção do Palace of Peace and Reconciliation no Kazaquistão, um país com um governo autocrático? deve um arquitecto trabalhar para os territórios ocupados de um país? deveria um arquitecto aceitar trabalhar na Faixa de Gaza a mando de Israel?
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mau tempo do outro lado do canal:
esperemos que estas coisas não peguem, mas é bem provável que peguem, que se transmitam de país para país. em Inglaterra, do outro lado do canal, o futuro do Department of Culture, Media and Sport que está responsável pela Cultura é visto com apreensão. não é só por causa do estilo do seu secretário (chamam-no jovem e tonto aprendiz, Andrew Gimson no Telegraph; jovem pupilo, Matthew Norman, Independent), mas porque em Inglaterra acredita-se que este departamento nada pode fazer quanto à aquisição necessária de obras de arte para os museus. aqui, comprar Tiepolos é bem mais fácil, embora um pouquinho caótico. apesar de ter sido o mentor da iniciativa dos museus grátis, Andy Burnham não conseguirá o mais difícil: travar um pouco da promiscuidade que existe entre museus e artistas no Reino Unido, uma vez que muitos dos artistas representados nos museus ingleses são quase sempre a escolha para uma compra posterior. há um grupo, uma elite já representada nos museus britânicos e que mantém a “pescadinha de rabo na boca”. o problema é que as obras destes artistas são cada vez mais inflacionadas pelo mercado da arte e pelo facto de já terem “nome” que lhes foi conferido por esse mesmo círculo vicioso. em Inglaterra acredita-se que o Department of Culture, Media and Sport consiga convencer o governo a apostar no teatro, a incrementar o gosto pela música e pela ópera e até subsidiar mais festivais de cinema, mas não será capaz de persuadi-lo na aquisição de obras de arte visual.
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mau tempo no reino da Dinamarca
cerca de 50 mortos depois (sim, porque houve mortos), a Dinamarca na figura do seu Museum of Danish Cartoon Art em Copenhaga está a tencionar comprar as 12 caricaturas do profeta Maomé que foram publicados primeiro pelo jornal dinamarquês Jyllyands-Posten em Setembro de 2005 e depois por vários jornais europeus (Noruega, França, Alemanha, Espanha e Itália) provocando a ira muçulmana. nos países onde se deram revoltas como o Afeganistão e a Somália morreram cerca de 50 pessoas e as várias embaixadas da Dinamarca no Médio Oriente foram atacadas. quem, como o editor do Zhoda se atreveu, já em 2006, a publicar de novo os cartoons foi afastado e acusado de incentivar a rebelião religiosa. Três homens estão detidos em Inglaterra por incitarem ao homicídio na embaixada dinamarquesa em Londres, um homem foi condenado por apelar ao racismo e na Alemanha um libanês está preso acusado de colocar bombas em malas num comboio em Colónia.

não se trata de fazer dos cartoons obras de arte, mas de preservá-los para o futuro, como memória do que aconteceu. não se trata de provocar, mas de informar, dizem os responsáveis. faz a Dinamarca o contrário da Rússia, não apagando da fotografia os seus colaboradores, neste caso, a sua história mas recente e menos lisonjeira. Estou só a pensar numa coisinha: os cartoons são para exposição? se sim talvez seja melhor numa caixa forte. e não admitirem a entrada a pessoas. só a moscas.
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bom tempo a Norte, céu de couve-flor a Sul:
o fotografo australiano Carl Warner é amiguinho do ambiente. ou é vegetariano. ou tem uma boa plantação. as suas fotografias de paisagens são inteiramente constituídas por vegetais: brócolos, batatas, couve roxa… dizem que é uma espécie de Irvin Penn mas fraquinho.
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3 Comments:

Blogger João Barbosa said...

Por que é que os cartoons não são arte?
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Ai que ainda nos zangamos...

31/1/08 10:08 da manhã  
Blogger beluga said...

não disse que não eram arte. só comentei que depois de 50 mortos por causa de dois cartoons, comprar os desenhos e expô-los pode ser pôr mais gasolina para a fogueira. não os expôr é sucumbir. raramente me zango.

31/1/08 4:32 da tarde  
Anonymous ana said...

arcimboldo

1/2/08 1:09 da manhã  

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