quando a minha idade era outra que não esta, a minha idade era de facto outra que não esta. o número que correspondia, em peso, ao número dos meus anos, era no entanto o mesmo que este que trago. 14 anos depois, voltei a ter o peso mínimo e nunca me senti tão abjectamente grande como hoje. o meu corpo ridículo ao espelho fez-me ter vontade de cortar as ancas e servi-las ao médico como rojões do porco de engorda que sou. no banho esfreguei-me para limpar o nojo que me sinto.
7 Comments:
Que horror !
Pior só em shakespeare ...
mau
mau
Cara Alma:
o Mercador de Veneza corava se me conhecesse. Um dia, após uma consulta em que tinha ganho peso, fui para casa, cortei um pulso com uma lâmina, enfaixei o pulso e fui à aula de ginástica das sete. e depois disso, senti-me limpa. tenho muito medo de não parar de engordar. tenho medo de passar na rua e ouvir qualquer coisa como "esta miúda estava tão magra e agora está uma balofa" ou "olha que gorda!". Só quero poder caminhar sem vergonha, sem estar constantemente com a sensação que estão a olhar para mim porque eu tenho um corpo estranho. sinto que as pessoas vêem isso mesmo sobre a roupa. o pior é que eu penso mesmo isso de mim: que o meu corpo é um nojo.
Caro AM e João Barbosa:
está mau, está. mas vai melhorar. quer dizer, pelo menos quero pensar que sim. é a minha esperança
beluga,
somos todos imperfeitos
corpos perfeitos (nem os celestes) não existem
essa coisa terrível dos pulsos só é bonita nos quadros e nas pinturas
nós estamos do lado de cá
da moldura
Caro António:
obrigada. nesta história toda, há coisas que não vão mudar. vou continuar a ter receio de comer, vou continuar a controlar a comida e vou continuar a precisar disso para continuar. outras coisas mudaram com os anos: como mais, saio mais de casa, tenho mais vontade de viver. mas não sou doida, nem tenho problemas mentais. só que vivo no meu universo que pouco a pouco se abre aos outros.
amanhã posto.
pelo amor da santa, não pense mal de mim.
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