terça-feira, fevereiro 23, 2010

- ars longa, vita brevis -
hipócrates


- A Vitra mostrou o seu novo museu que muito "me gusta". O complexo da Vitra em Weil am Rhein na Alemanha conta com um museu do design de Frank Gehry, um centro para conferências de Tadao Ando e tem na calha mais outro edifício de SANAA. O novo edifício, agora ao acesso dos mortais, foi desenhado pelos suíços Herzog & de Meuron e pretende servir de museu do mobiliário. Estamos a falar de um edifício composto por pequenas casas em cada um dos andares-ramos. Imaginem uma árvore com ramos e em cada ramo há uma casa. O que dá esta sensação de "conto-de-fadas" à minha explicação é o desenho das casas, todas em "A" (o tipo de casas que desenhávamos quando éramos pequenos), casas essas que estão presas umas às outras em altura numa alusão aos propósitos da Vitra: vender mais e para as massas.

- A Tate Britain reuniu cerca de 150 trabalhos do escultor Henry More que mostram um lado desconhecido do artista: um lado obscuro que explora a temática do sexo, guerra e morte e que de certeza nos farão olhar para as esculturas pachorrentas e familiares de Moore de outra forma. A exposição reúne cerca de 40 anos de trabalhos de Moore que eram até aqui desconhecidos e que mostram, entre outras coisas, figuras femininas eróticas gravadas em madeira e desenhos claustrofóbicos de esqueletos. Pensa-se que esta exposição trará mais informações sobre Moore, bem como uma nova visão acerca do seu trabalho, uma vez que o mesmo decorreu entre duas guerras mundiais e assistiu ao Holocausto. Esquecer isto era desvirtuar o espírito humano do artista. Cada sala da exposição possui um trabalho de Morre sobre a temática "mãe e filho", temática essa que para o artista era quase obsessiva. Mas depois, em cada espaço tanto podemos encontrar desenhos de londrinos a fugirem dos raides aéreos como desenhos de preparação das suas estilizadas esculturas que possuem um lado mais sensual no papel do que na pedra.
- O Guardian tem um artigo entitulado "Critics? You need us more than ever". Este artigo não fala das críticas, mas sim dos críticos de arte. Nem sei bem se isto é assunto para Portugal uma vez que nesta área há no nosso país uma espécie de concubinato que não aquece nem arrefece nenhum artista visado pela crítica. A última grande discrepância que vi foi entre dois críticos de cinema: um escrevia que o filme "Anticristo" de Lars von Trier era abominável, o outro que era uma coisa de génio. Assim sendo, não vi o filme. Mas o que me leva a escrever sobre o artigo do The Guardian é a quantidade de sondagens e votações on line que sites sobre moda, música, cinema e literatura fazem, deixando ao cuidado dos leitores a escolha de uma opinião que deve ser dos críticos. Que mal tem um bocadinho de compromisso? Que mal tem dizer que o que a Lady Gaga faz agora, já a Madonna fazia no seu tempo só que sem os sapatos McQueen (que Deus o tenha) porque não havia dinheirinho? Que mal faz ler o "2666" até ao fim e declarar que não se tomou o livro como um "Excelente", mas como um "Bom"? Que mal tem dizer que a Naomi Campbel é desastrosa a vestir? Que mal tem dizer que o último do Woody Allen é tão auto biográfico que até nem parece dele que costuma deixar mais à imaginação? E o Avatar? Ainda me lembro quando passou na televisão um filme 3D sobre o monstro do lago Ness e tivémos de o ver com óculos especiais. Então, porque é que ninguém diz que o Avatar, fora o espectáculo pirotécnico, não é bom? É preciso que os críticos digam mal das coisas, não de forma gratuita ou coberta na rectaguarda (dizer aquilo que alguém, por esse mundo fora também já disse), mas do que lhes vem da experiência.

3 Comments:

Blogger AM said...

tentei deixar a minha opinião sobre a obra dos H&deM em:
http://odesproposito.blogspot.com/2010/02/des-trocos.html

23/2/10 8:27 da tarde  
Blogger beluga said...

Eu li esse post e ingenuamente comentei. Mas depois percebi que o seu entendimento acerca da arquitectura é como o meu acerca do design: ou funciona ou não, e se não, então não adianta os nomes bonitos e as linhas assim-assado nem os materiais ecológicos.

23/2/10 11:15 da tarde  
Blogger João Barbosa said...

Em Lisboa, para os socialistas, o Gehry não prestava... pois que o parque Mayer está melhor assim

25/2/10 11:42 da manhã  

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