terça-feira, fevereiro 09, 2010

- o carteiro -
Já que o coito - diz Morgado -
Tem como fim cristalino,
Preciso e imaculado
Fazer menina ou menino;
E cada vez que o varão
Sexual petisco manduca,
Temos na procriação
Prova de que houve truca-truca.
Sendo pai só de um rebento,
Lógica é a conclusão
De que o viril instrumento
Só usou - parca ração! -
Uma vez. E se a função
Faz o órgão - diz o ditado -
Consumada essa excepção,
Ficou capado o Morgado.
(Natália Correia)

Como habitual, comecei a ler o Expresso pelo fim. Fui ao início ler as “gordas”, fui ao desporto ler o escândalo John Terry e parei na página 36 dedicada ao Editorial e aos artigos de opinião de Ricardo Costa, António José Seguro e desta vez, do Dr. Henrique Carvalho Maia, médico a quem são dadas mais linhas do que ele merecia para divagar acerca do casamento homossexual. Visto que é uma opinião no Expresso e não tendo eu acesso ao mesmo espaço, faço-o aqui no meu blog que pelo menos é meu e é gratuito

Do artigo publicado há apenas uma frase com a qual qualquer português pode parcialmente concordar: “uma causa [casamento homossexual] que interessa uma minoria da população, sem a mínima urgência, mas que, pelo seu carácter vanguardista e provocatório congrega a polémica e o debate, e distrai do essencial.” O resto do texto é porém bafiento e enjoativo, roça até os limites da própria ignorância, da falta de cultura, de gosto, mas mais elementares regras de convivência, respeito pelo próximo e até da lógica e da linguística. Refere o médico que o casamento homossexual ultrapassa o folclore político-mediático pela razão, entre outras de se pretender “por arrastamento, conceder aos casais homossexuais o direito de adoptar”. Que eu tenha visto, até agora esse direito não foi concedido e mesmo que fosse, não vejo razão para tanto alarido uma vez que se de facto as crianças criadas por casais homossexuais fossem inevitavelmente homossexuais, isto queria dizer que os pais dos pais dos pais dos pais dos pais destas crianças também teriam sido. Em última análise, todos nós seríamos homossexuais. (Negando isto, eu pergunto: então fomos feitos “com o dedo”?). Na impossibilidade de construir um campo de concentração para tanta gente, eu acho que devíamos construir dois. E três ou quatro hospícios.
Segue o texto com o mesmo tom de superioridade e jactância de quem tem “queda, mas não tem espaço para cair”. Diz o Dr. Henrique Carvalho Maia: “O grande problema dos homossexuais é a sua própria homossexualidade. Para a quase totalidade deles, ser homossexual é um fardo e uma dificuldade. Quer a moda e os politicamente correctos queiram ou não, a homossexualidade é uma anomalia. Talvez uma das poucas anomalias indiscutíveis, em termos naturais e biológicos, já que o único comprovado e omnipresente propósito de qualquer ser vivo do planeta é reproduzir-se e tentar manter a espécie (tudo o resto é inventado por nós)”. Por onde é que eu começo? Dizer que para os homossexuais o problema deles é a sua própria homossexualidade é dizer que para um judeu o problema é próprio judaísmo, ou que para uma mulher o problema é a própria feminilidade. A propósito, se é “seu” já é “próprio”. Se a homossexualidade é uma anomalia pode dizer-me o Sr. Dr. que é feito dos apontamentos por onde estudou para o acesso à Ordem? È que uma anomalia é o nome dado ao que não é normal e não há normal hoje em dia. Quer algo mais anti-natural ou contra-natura do que a própria natureza? Por exemplo; há espécies de símios que têm um prostituto, nos cavalos-marinhos são os machos que ficam grávidos, os cangurus fêmea têm dois úteros e duas vaginas e podem engravidar dos dois úteros ao mesmo tempo. E como para mim isto ainda não é resposta suficiente à transcrição feita, acrescento que se o propósito dos seres vivos fosse apenas a reprodução como defende o Dr. Henrique Maia, para além dos anormais dos homossexuais, teríamos os anormais dos estéreis, as anormais das velhas, as anormais das pessoas que nascem sem órgãos sexuais e todos os anormais que não querem ou não podem ter filhos.

E termino alertando para a existência de inversões de pensamento e linguagem que não beneficiam o texto, nem quem é por ele visado: “Mal de mim, quer como cidadão quer como profissional, se tivesse qualquer espécie de preconceito, animosidade ou problema com os homossexuais. Além de ter alguns amigos dentre aqueles que conheço, durante os meus longos anos de trabalho tenho tido muitos clientes homossexuais.”. E tenho a certeza que tanto os amigos como os clientes estão satisfeitos por apertarem a mão a um homem que os acha uma anomalia.

“Estamos a perder a virilidade e a fertilidade. A ficar obesos, drogados e ignorantes. Eu acrescento, e homossexuais.” E eu acrescento e “a jogá conversa fora, né seu inriqui?”

7 Comments:

Blogger João Barbosa said...

a especificação na lei de que os homossexuais não podem adoptar vai tornar a lei inconstitucional e, logo, chumbada pelo presidente da República. Isto acontece porque se discriminam os casais, pois se são casais têm de ter iguais direitos.
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Na verdade, em termos indivuduais, os homossexuais podem adoptar, pelo que não faz sentido interdita-los de o fazerem enquanto casal.
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o preconceito em relação aos homossexuais é tal que se parte do princípio que é contagioso. Se nasce em barriga de aluguer ou é adoptado, logo torna-se gay ou lésbica. Se a escolha da orientação sexual fosse tão básica não haveria homossexuais, pois nascem em famílias heterossexuais.
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Pornato, colocar nas escolhas dos pais a orientação sexual dos filhos é pura estupidez e falta de pensamento (breve) sobre o assunto.
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a outra questão é que não é urgente e que há coisas mais importantes em que pensar. Sempre que há uma injustiça ou discriminação é urgente. segundo, consegue-se fazer mais do que uma coisa ao mesmo tempo. Pura demagogia e, mais uma vez, estupidez dizer que quando se +ensa na lei do casamento já não se consegue pensar em mais nada.
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cito Dolly Parton: «os homossexuais com direito a casar? concordo. têm o mesmo direito a serem infelizes»

10/2/10 8:37 da manhã  
Blogger beluga said...

Caro João Barbosa:
O problema legal coloca-se sim, embora no geral discutir isto é como entreter o cliente enquanto se lhe rouba a carteira. A negação do direito à adopção por parte de casais homossexuais iria criar uma incongruência legal pois os heterossexuais, homossexuais e bissexuais que vivem juntos, ou sozinhos podem adoptar e os casais gay não. Mas esse até me parece ser um argumento que nada favorece a visão dos opositores ao casamento. Porque na realidade estão a defender, em nome dos homossexuais, o direito por parte destes à adopção. E quando esse direito fosse conseguido, com quê iriam argumentar? Quem com ferros mata, com ferros morre.

Quanto à Dolly Parton, um ícone gay eu acho que esse dito também pode ser invertido. Se eles têm o direito a ser infelizes? Têm. Mas também têm o direito a casar. Imagine que eu sou uma mulher que ainda não decidiu se queria ter filhos ou não. Andava a pensar muito na minha vida, se tinha tempo, se queria, se iria ser uma boa mãe… E entretanto chegava ao médico, para um exame de rotina e ele me dizia que eu não podia ter filhos. Apesar de ainda não ter decidido se esse era o meu desejo via-me logo limitada. Uma coisa seria eu decidir que não queria ter filhos, outra seria se me dissessem que eu não podia ter filhos. Compreende a diferença? Uma coisa é um homossexual não querer casar, tem esse direito. Outra diferente é ser-lhe vedado esse direito. Se para os opositores ao casamento isto é folclore pois a maior parte dos casamentos acaba em divórcio e os homossexuais são muito promíscuos e nunca precisaram de leis para estarem juntos, então porque não aprovar a lei? If it’s not to much to ask for, is not to much to do it for.

11/2/10 12:01 da manhã  
Blogger João Barbosa said...

inteiramente de acordo consigo

11/2/10 10:14 da manhã  
Blogger AM said...

deixei de comprar e/ou ler o "expesso"
sou muito mais feliz

11/2/10 9:27 da tarde  
Blogger beluga said...

Caro JB:
então, amigos como antes?

Caro AM:
nem sei se lhe digo "faz bem" ou não. por um lado apetece saber estas coisas, por outro roça tanto o ridículo e revela uma falta de pré-requisitos tão grande que talvez seja mesmo melhor não ler.

12/2/10 1:32 da manhã  
Blogger João Barbosa said...

claro que sim... mas... estivemos zangados?

12/2/10 9:08 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

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