terça-feira, agosto 14, 2007

- o carteiro -

a pedido de várias famílias e amigos, aqui fica a "epifania". And the winner was...:
"Esta é uma experiência limite; não faça isto em casa. Pegue nas malas (maletas, mochilas e afins) e faça-o mesmo fora de casa. Esqueça os cigarros e os centros comerciais, esqueça o carro durante a semana de trabalho e aproveite cada cêntimo para iniciar como Ulisses uma Odisseia. Desta vez leve Penélope consigo e se tiver um Telémaco, leve a criança também. Não confie a casa aos seus servos, perdão, à senhora da limpeza e deixe o cão na vizinha, se esta não estiver a iniciar a mesma jornada que você, o que até nem seria de estranhar.

Fique pois sabendo que o perímetro da Terra são 40054,6878Km. Se por hora andar 5Km e por dia andar – vá lá, digamos por alto para não se cansar -, 8 horas, são 40km. Já sei, pensa que ao fim de 1001 dias está de volta a casa, mas não. Desconte os barcos para atravessar oceanos. A vantagem da sua Volta ao Mundo em 1001 dias, menos os do barco, irá meter inveja ao próprio Phileas Fogg que teve de enfrentar a modorra dos wagon-lits do comboio, relegando para Passepartout o sightseeing; ou seja, o mais divertido. Não se limite a andar em linha recta; se inventaram as outras foi para isso.

Atravesse o nosso Portugal em direcção ao norte de Espanha, passe pelos Pirinéus, Bordéus, chegue perto de Estugarda na Alemanha, vá até à República Checa mas passe ao lado de Praga, Polónia perto de Varsóvia, Bielorrússia perto de Minsk, na Rússia passe perto de Moscovo e desça para Saratov, para passar o Cazaquistão e entrar no Uzebequistão até Urganc. Dirija-se para o Turquemenistão, chegue ao Afeganistão perto de Cabul, no Paquistão perto de Lahore, entre na Índia e passe pelo Katmandu, entre no Bangladesh perto de Dacca, passe o Butão e corra rapidamente por Miannar. Entre na Tailândia, passe o Laos e chegue ao Vietname (Nha Trang), apanhe o barco até o Burnei, atravesse o Borneu até Balikpapan e tome o barco de novo contornando as ilhas rendilhadas no mar até chegar a Derby. Passe perto de Alice Springs, Charleville e Glenn Innes. Está a sair da Austrália. Aprecie o mar à sua frente, mas siga de avião até ao Alasca. Entre em Anchorage e passe o Canadá da seguinte forma: ali perto de Skagway e Prince George. Já nos Estados Unidos não se esqueça de Helena (não a de Tróia, por quem Ulisses também lutou), mas a outra, Santa Fé e entre na México ali perto de Monterrey e até Tuxtla Gutierrez, nem que para isso tenha de molhar os pés no Golfo do México. Passe o Belize em beleza, bem como as Honduras, Nicarágua e Costa Rica. Faça uma visita ao “Alfaiate do Panamá”, caso necessite de nova indumentária para atravessar a Colômbia ali perto de Medellin. Entre no Peru perto de Leticia e saia do Brasil perto de Rio Branco. Na Bolívia não se esqueça de um bocadinho de Sucre, na Argentina, e como é a descer, vá de Salta a Santiago del Estero, Cordoba e ligeirinho até cá abaixo, até Río Gallegos. Não apresse o miúdo. Escolha o barco e num segundo meta-se na África do Sul, mais concretamente na Cidade do Cabo. E para o fim fica o pior; sempre a subir: Namíbia perto de Grootfontein, Angola pelo Huambo, no Congo perto de Kinshasa e nos Camarões perto de Ngaoundéré. Na Nigéria diga Olá a Yola e diga adeus ao Niger quando entrar na Argélia em Bechar. Entre em Marrocos e nem pense que “we’ll always have paris”, porque o destino é Tânger. De barco chegue ao seu país. Pela mão de um amigo chegue a casa.

Os Pólos, com muita pena sua e nossa, terão de ficar para outra vez. É que as suas pernas musculadas, as da sua mulher bem modeladas e as do seu Telémaco já formadas, não aguentam mais e é necessário contar aos amigos todas as aventuras: o cansaço, o sol, a chuva, as intempéries em geral, os autóctones, as comidas estranhas, as tradições, as rejeições, a solidão, a galhofa, a saudade, o despreendimento, a espiritualidade, a vida prática, as doenças, as curas, os sapatos rotos, os outros sem sapatos, os prédios altos, as planícies, a savana, o pantanal, os animais, as pessoas, os “não”, os “sim”, os que vão de carro, os que nunca foram, a introspecção, a partilha, as fotografias, a insubstituível memória visual, a recordação, a vivência. E um dia a menos, pois quando se viaja para Oriente, ganha-se tempo."

1 Comments:

Blogger Eduardo said...

Congratulationssssss!!!!

Agora comece a apressar-se e a fazer as malas porque o Rio de Janeiro espera por Você!!!!!!!!!!

14/8/07 8:50 da manhã  

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