sexta-feira, janeiro 13, 2006

CONFERÊNCIA DE IMPRENSA
Todo o homem é importante em sua casa, à hora de jantar
Este é um post Carrie Bradshaw, uma das protagonistas da série "O Sexo e a Cidade", semelhante na forma e no facto de ambos serem feitos a partir de um portátil. No caso da personagem não sei, mas neste, o post é feito no novo portátil da Beluga, portátil esse que a Beluga se ofereceu. Porque a vida de Beluga é difícil, ofereci-me um portátil e penso seriamente nos Manolo Blanik embora as ruas desta cidade sejam um pouco mais acidentadas que as de Nova Iorque.
Começo por dizer que todo o homem é importante na sua casa à hora de jantar ou melhor, que só é importante em sua casa à hora de jantar. Este blog hoje faz quatro meses e interrogo-me sobre estas mensagens em garrafas que os bloggers deitam na blogosfera. Deito as minhas e se não coloquei um counter é porque não me interessa saber quem as lê, embora saiba que são poucos, tão poucos que quase não justificam a existência do Belogue. Embora um portátil e um par de Manolo Blanik nos pés mudem a perspectiva que se pode ter.
Pergunto-me também porque é que me meti nisto: porque dava espreitadelas nos outros blogs e pensei que também tinha algo a dizer, mesmo que as minhas mensagens, a maior parte das vezes, sem qualquer sentido, a roçar o niilismo, não fossem lidas. Pensava até que podia fazer melhor, ou pelo menos (melhor "it's a little bit too much"), diferente. Aliás, a princípio o único feed-back era o pessoal dos "enlargement pennis" e dos "credit loans".
Um homem também é importante se jantar sozinho todos os dias? E se a casa não for sua? E um homem só é importante se tiver o nome do seu blog no "edit me" dos outros blogs? E ser importante é tratar por tu pessoas que não conhecemos, criar um microcosmos de amizades quase maçónicas, como se fosse impossível vermo-nos à luz do dia?
E mais importante, talvez porque estou a ouvir Leonard Cohen (não sei se a Carrie ouviria, mas não me interssa), uma pessoa só é importante - no sentido de fazer falta a alguém - se esses que o rodeiam forem dos seus, do seu sangue? Faremos falta a mais alguém, ou estarei a empolar o quão especial cada um de nós pode ser? Porque a Liliana morreu há dois anos e ninguém fala dela e eu temo ir-me, numa altura em que não sei se quero ficar devido às mais variadas razões - e não, não perciso que me passem a mão pelo pelo porque tenho mãozinhas, obrigado, - sozinha numa mesa, em casa, à hora de jantar. Se assim for, quero os meus Manolo Blanik.

9 Comments:

Anonymous bébé chorão said...

Todos somos importantes e todos fazemos falta uns aos outros nem que seja para termos alguém a quem "chatear". Sozinha à mesa? mais vale só que mal acompanhada.

13/1/06 9:42 da tarde  
Blogger Alice said...

O facto de ninguém falar nela, não significa ninguém pensa nela.

Nem todos conseguem verbalizar o que sentem e o que pensam...talvez nem tenham que o fazer.

16/1/06 1:59 da tarde  
Blogger Alice said...

O facto de ninguém falar nela, não significa ninguém pensa nela.

Nem todos conseguem verbalizar o que sentem e o que pensam...talvez nem tenham que o fazer.

16/1/06 1:59 da tarde  
Blogger beluga said...

Mas será que algum de nós sente a falta dela?

16/1/06 3:12 da tarde  
Anonymous pete said...

sim.

16/1/06 5:18 da tarde  
Anonymous pete said...

...mas o mais importante não é sentir a falta dela, é lembrar-nos dela, como pessoa, como amiga, como alguém que povoa ainda a nossa cabeça como quem povoa a Terra. Agora não me castiguem se não sentir sempre a falta dela. A saudade não é nem tem de ser igual para todos, a minha saudade é baseada no que passei com ela, não há medida igual.
Lembro-me da Liliana quando ouço Out of Time dos Blur porque me faz lembrar o concerto deles a que fomos em Lisboa. Lembro-me dela quando estou com gatos amarelos, lembro-me dela quando vejo uma peça de roupa beringela na zara e apetece-me dizer-lhe que vi algo qu lhe ficava a matar... ou não. Lembro-me dela quando me lembro de Aveiro, juntamente com todos os outros... sou e vou continuar a ser amigo dela e vou lembrar-me dela com coisas do presente e não do passado. Seria deprimente lembrar-me só da imagem dela, ela deixou marcas e são essas provas de vida que a mantêm comigo mesmo depois da morte. Também eu espero deixar marcas de vida, mas n é para ser lembrado depois de morrer, é para viver ainda melhor.

Liliana, se achares este texto muito lamechas posso mandar uma piada mórbida a seguir...

16/1/06 5:35 da tarde  
Blogger Q said...

Este comentário foi removido por um gestor do blogue.

17/1/06 10:34 da manhã  
Blogger Q said...

...aproveitei um intervalo pra matar as saudades deste blog q nao pode ser lido com a mesma leviandade dum "olá". E de novo, o numero de comentarios revela o post com maior numero de denominadores comuns entre os comentadores do Belogue (entristece-me minha Beluga por achar q nao sao em suficiente numero para mante-la a escrever...enfim). E desta vez, a Liliana. Ninguém se deve fustigar so porque nao sente ou sente pouca falta de uma pessoa que agora é recordaçao...O tempo pode ser uma virgula, uns parentises ou umas reticencias...a vezes acordo "and then i realised" que sonhei com a liliana, e por coincidencia ou nao (mesmo sem ter lido este blog) tenho pensado algumas vezes nela esta semana. E a imagem "la créme de la créme" dela, era o sorriso e o riso...é assim q me lembro dela...ah, e lembro-me tb de lhe ter cortado o cabelo varias vezes, e sao exactamente esses momentos passados (como diz o Pete), que vao sendo recordados até que cada um de nós lhe façar companhia. Voltaremos a estar juntos é certo...

17/1/06 10:37 da manhã  
Blogger beluga said...

Não sinto a falta dela e isso assusta-me. Lembro-me dela, muitas vezes, mas não sinto a falta dela.

17/1/06 11:26 da manhã  

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