terça-feira, junho 28, 2011

- ars longa, vita brevis -
hipócrates

antes e depois. este antes é a maria madalena do georges de la tour. dizem que eram um caravagista, um seguidor de caravaggio que, como sucedâneo pode não fazer dele bom pintor (já que era uma "imitação" do original), mas que, no mundo onde a minha cabeça vive, só podia fazer dele uma boa pessoa. apesar de ser muitas vezes madalena ser associada à prostituição e à luxúria, a verdade é que ela é, provavelmente a mais importante figura feminina do cristianismo a seguir à virgem maria. ela é a única que está nos momentos mais importantes do vida de cristo, não obstante as místicas e santas que surgiram já em fase de formação do cristianismo como religião oficial de o império, segundo o édito de tessalónica de 380, com teodósio (e não com constantino como se pensa). curiosamente, madalena era objecto de grande devoção em frança, não sei porquê (mas hei-de descobrir). como bom francês, de la tour também fez dela um dos temas recorrentes das suas pinturas, embora seja notório que o seu excessivo tenebrismo não alcançou o mesmo efeito dramático de caravaggio. caso para dizer: nem tanto ao mar, nem tanto à terra. a luz que ilumina madalena é a da vela, mas há ali outra luz naquele compartimento. apesar da chama alta, acho que a mesma não iluminaria tanto. não sei... imagino-me quando falta a luz e seguro uma vela. o espaço iluminado é aquele que circunda a vela e pouco mais. mas de la tour gostava dos efeitos de cor obtidos e gostava que a luz modelasse os volumes tal como vemos na melancólica madalena aqui em baixo.

a casa laboutin decidiu que para apresentar a colecção deste outono/inverno iria recuperar os clássicos - leia-se, as pinturas clássicas como as de de la tour, whistler, zurbarán... convidou então o fotógrafo Peter Lippmann que criou sete retratos inspirados em algumas das obras de arte mais conhecidas. a justificação de laboutin é que tal como nos retratos famosos, cada mulher que usa sapatos da marca é única e cada par tem uma técnica diferente, tal como cada artista tinha a sua técnica. assim, a madalena penitente e triste junto à vela é agora uma madalena penitente e triste junto a uns botins (muito feios) com pêlo. rapariga, eu também ficaria assim se me tivessem oferecido essa recriação de pata de vaca em vez de uns destes:

Georges de la tour
Magdalen of Night Light
1640-45
Musée du Louvre, Paris
Laboutin
Colecção Outono/Inverno 2011

2 Comments:

Anonymous Ana said...

é este o original?
http://abrancoalmeida.files.wordpress.com/2009/06/09magdal.jpg
eu sei que achas o de la tour piroso, demasiado dramático. mas eu gosto dele desde pequenina..
não concordo com a apreciação que fazes da luz: sim, após habituação dos olhos, uma vela pode iluminar tanto assim. é questão de experimentarmos :)
mas concordo que o sapato é um horror...

28/6/11 12:38 da manhã  
Blogger beluga said...

sim, ana. desculpa, tinha-me esquecido de colocar a imagem. agora que dizes isso da luz... fico a pensar que faz todo o sentido. de facto quando nos habituamos à luz ela passa a iluminar mais. mas mesmo assim... não sei, parece-me que há mais alguma luz ali. e o sapato é de fugir (sem sapato). beijos e saudades

28/6/11 12:45 da manhã  

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