sexta-feira, outubro 26, 2007

- o carteiro -

"quem não é bom para comer, não é bom para trabalhar", "para a mesa e para a cama só uma vez se chama", "a beleza não se põe à mesa" and so on...

Caro AM, não é uma pesquisa cabal, mas foi o que se pode arranjar. E o Belogue fica cheio de imagens, o que é sempre bom porque dá o ar que quem escreveu os posts é genial.
Bonnard é a excepção que confirma a regra, ou é a regra que confirma a regra, depende do ponto de vista. Ao contrário da maior parte dos artistas e ao contrário daquilo que acabou por se tornar um mito, o artista não teve uma infância conturbada, uma vida amorosa desastrosa, não sofreu de nenhuma doença, não perdeu nenhum ente querido de forma trágica, nada. Vivia harmoniosamente com a esposa que pintou várias vezes em cenas íntimas na banheira, teve uma infância feliz e como pertencia a um meio social economicamente bem, viveu sem problemas financeiros. Nem mesmo quando no início da Primeira Guerra Mundial fez uma série de viagens por Espanha, Bélgica, Holanda, Inglaterra, Itália, Alemanha e Tunísia e Algéria, ou quando viu as primeiras tragédias da guerra isso se reflectiu na sua pintura.
No final do século XIX Bonnard e o seu amigo Vuillard, Edouard Vuillard, decidiram explorar os interiores domésticos como temática da sua pintura. Porém, não os pintaram como uma fotografia que pretende dar uma visão geral desse ambiente doméstico. Enquanto a sua forma de pintar permanecia bastante impressionista próxima da de Degas, Bonnard foi aos poucos desenvolvendo um estilo próprio e abriu a paleta impressionista. Bonnard pintava com frequência mesas postas, mas fazia-o de forma claustrofóbica com pouco ênfase na luz e no espaço. O ponto fulcral era a colocação dos objectos e detalhes, bem como a composição. As figuras humanas eram com frequência atiradas para as margens do quadro e mostravam-se enigmáticas na sua expressão, acompanhadas frequentemente por animais de estimação.

Pierre Bonnard
La nappe à carreaux rouges
1910
Colecção Particular


Pierre Bonnard
Dining Room Overlooking the Garden (The Breakfast Room)
1930-31

MoMA, Nova Iorque


Pierre Bonnard
Dining Room on the Garden
1934-1935
Solomon R. Guggenheim Museum


Pierre Bonnard
The Luncheon

1923
The Philip and Janice Levin Foundation


Pierre Bonnard
Après le Repas

1925


Pierre Bonnard
Table Setting under the lamp
1899

Colecção Privada


Pierre Bonnard
The Lunch of the Little Ones
1897
Musée des Beaux-Arts, Nancy, France


Pierre Bonnard
Cherry Pie
1908
Colecção Privada


Pierre Bonnard
Carafe, Marthe Bonnard with Her Dog
1912-15
Colecção Privada

6 Comments:

Blogger AM said...

mas olhe que os seus "post" estão muitas vezes perto da genialidade...

este bonnard é uma caixinha de surpresas
adoro o cão-preto de perfil do primeiro
recordou-me o poema-cão do o'neill e as manchas pretas do nosso toulouse

o Dining Room on the Garden tem umas cores muito diferentes das do meu link... espero que seja mais para o vermelho (que para o cor de laranja) até por causa do "meu" matisse

também gostei muito (é banal dizer que "gostei"?...) das pinturas da mulher na banheira... um tema que a beluga também já postou...

26/10/07 10:08 da manhã  
Blogger João Barbosa said...

Genial não diria, mas garanto que são belos nacos de prosa e de bom gosto.
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Já o Bonnard foi uma bela evocação, pois já há muito que não me lembrava dele.

26/10/07 11:17 da manhã  
Blogger beluga said...

Caro AM:
para mim o mais engraçado é a caça ao Wally (animal) dentro do quadro. Acho que em todos há um cão ou um gato e os cães andam sempre com o focinho em cima da mesa. Sabe que o Bonnard no início da carreira pintou uns cartazes a pedido de uns amigos (para uma festa deles ou qualquer coisa assim) e ele pintou-os ao estilo Lautrec. Talvez seja por isso que faz a analogia com lautrec.

Sabe que na net é impossível saber qual a cor seja do que for (fora da net também!), por isso não lhe posso garantir que seja o seu ou o meu link, mas acredito que seja o seu. O Bonnard era dado à coloração alegre.

Há uns tempos postava muito sobre banhistas, praias e banhos. mulehres na banheira também, mas acho que isso é outro tema.

Caro João Barbosa:
Deixe-me refazer a frase porque está um bocadinho pedante e pedinte de umas palmadinhas nas costas e isso não me agrada: "E o Belogue fica cheio de imagens, o que é sempre bom porque dá o ar de que é um blog genial".

27/10/07 12:27 da manhã  
Blogger João Barbosa said...

grunft! Humm!... genial, todavia... ou quase

27/10/07 7:09 da manhã  
Blogger AM said...

mas eu não sabia nada disso do cartaz para os amigos...
o toulouse vinha dos nosso "truncados"...
que coisa, hem, beluga
as coincidências são umas danadas de umas pescadinhas de rabo na boca, é o que é...

27/10/07 7:26 da tarde  
Blogger beluga said...

caro AM:
é verdade, o Bonnard fazia uns cartazes para os amigos e baseava-se em Lautrec. (pode ver aqui: http://www.abcgallery.com/B/bonnard/bonnard85.html). E quanto às pescadinhas, qualquer dia dá para fazermos uma sardinhada. ou neste caso, uma pescadinhada.

29/10/07 12:08 da manhã  

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