segunda-feira, agosto 27, 2007

- o carteiro -

- Três milhões de refugiados deixaram o Iraque desde 2003, devido à política de Sadam e a outros factores. Dentro do Iraque há o mesmo número de deslocados: os diferentes grupos deslocam-se para áreas mais homogéneas.

- Os refugiados iraquianos que saem do Iraque escolhem diferentes países por diferentes razões: a Síria porque é o território da região que está mais disponível para receber qualquer tipo de refugiados independentemente da religião. Durante um longo período a Síria chegou mesmo a proporcionar-lhes serviços de saúde e ainda lhes providencia educação. neste momento a Síria já não pode receber mais ninguém, até porque o governo sírio subsidiava bens como o pão, e o próprio Estado já não tem condições para tal. A Jordânia praticamente fechou as fronteiras em 2005, em parte por causa do excesso de refugiados e em parte devido aos próprios problemas demográficos do país. A população jordana é na sua maioria palestiniana. Não era uma boa ideia... O Líbano não é um país muito acolhedor para os Iraquianos, mas os cristãos iraquianos foram bem recebidos pelos cristãos libaneses
- Antes de fechar as fronteiras, a Jordânia acolheu os refugiados mais ricos, assim como o Egipto, o que só beneficiou as duas nações.

- O Egipto fechou as fronteiras após receber cerca de 150 mil iraquianos, na maioria sunitas. A Suécia recebeu entre 40 a 50 mil refugiados iraquianos. A América recebeu 700.
- A América não recebe mais refugiados porque isso seria admitir que a guerra estava a ser um falhanço. Por outro lado, segundo as leis de segurança americanas, uma família que, por exemplo, tenha pago o resgate de um filho sequestrado por terroristas, é considerada inadequada para entrar em território americano uma vez que ao pagar o resgate estava a contribuir para a causa terrorista.
- O Iraque, tal como o conhecíamos já não existe, mudou irreparavelmente. Os sunitas, por exemplo são um alvo fácil porque os seus nomes distinguem-nos dos Xiitas que controlam grande parte do território, principalmente Bagdade. Mas Bagdade já não é a cidade mais importante do Iraque. Quem controlasse Bagdade controlava o Iraque. Hoje há cidades como Kirkuk, Mosul, Basra e outras que funcionam como cidades-estado, com as suas próprias milícias, os seus senhores da guerra, as suas leis.
- O poder eleito não interessa. Quem tem o poder da rua é que comanda a rua e o país. O governo não controla nem providencia nada. São as milícias que controlam os diferentes ministérios e estes que se controlam entre si.
- As milícias não são só xiitas ou sunitas ou curdas. As forças americanas neste momento também funcionam como uma milícia, mas não a mais poderosa sequer. Neste campo os americanos são ultrapassados pelo Mahdi Army que controla quase na totalidade a polícia e o exército iraquiano.

(e continua, aqui...)

1 Comments:

Blogger Eduardo said...

Minha crida,

mais uma vez os meus parabéns por um artigo que nos mostra uma vez mais(passo a redundância) que a menina tem um sentido critico e uma clareza de raciocinio remarcaveis!
E cada vez mais raro encontrar meninas (e meninos, porque eu não sou misogino!)que como a menina reunam tantas qualidades.
a saber:
-Giras/os
-Inteligentes
-cultas/os
-com um sentido de estética apuradissimo
-Eleganates
-Requintadas/os
e para colmatar, uma consciência politica e social apuradissimas!!

Enfim, não se pode pedir mais !!!;-) (..e so de pensar que ainda ontem li um artigo de Kikergard em que ele falava da mulher como um ser adoravel mas que deveria ser confinado às quatro cantos da cozinha!!!)

enfim..isso so contas de outro rosario!

Quanto ao Iraque, realmente ele ja não existe.
Mas sera que ele alguma vez existiu?!!
Afinal a unica coisa que mantinha unidos Xiitas, Curdos e Sunitas não era o medo instaurado por uma ditadura de terror??
O que se passou no Iraque é o que se pode passar em qualquer arena onde se coloquem de um momento para o outro,seres vivos inimigos (animais ou humanos) que depois de muito tempo contidos se encontram face a face povoados pelo odio e raiva acumulados durante décadas...
Se a isso adicionarmos o facto de que a arena é regada a petroleo, podemos facilmente adivinhar que o resultado sera explosivo!!

A unica diferença é que ao contrario do que acontecia nas arenas romanas em que o publico hurlava e vibrava com o sangue que ia correndo por terra, hoje o publico é mais apatico, +contido e assiste passivamente à destruição de um povo e de um pais, no conforto dos seus lares!

as imagens de guerra e de caos, deixaram de constituir algo de espectacular como outrora, para passarem a fazer parte do quotidiano..

são banais e distantes do conforto ocidental, susceptiveis de serem alvo de zapping, quando a consciência tente acordar..

..e tudo isto sob o olhar passivo e conivente da comunidade internacional e o aval cobarde das Nações Unidas!


Beijo (a)

28/8/07 9:38 da manhã  

Enviar um comentário

<< Home