terça-feira, julho 24, 2007

- o carteiro -

“Que força é essa amigo?”*

- Polo do Hermitage em Lisboa em 2010
- O Louvre do Deserto ou o Louvre-Abu Dhabi estará pronto em 2012 com projecto de Jean Nouvel(?)
- O Centro de Arte Contemporânea de Veneza de François Pinault com projecto de Tadao Ando ficará pronto em 2009. O concurso para o mesmo lugar foi disputado entre Pinault e a Guggenheim Foundation com projecto de Zaha Hadid. O inimigo visceral de Pinault, Bernard Arnault e a Fundação Louis Vuitton em Paris planeiam um novo museu com projecto de Frank Gehry que será a Museu Fundação Louis Vuitton e estará pronto entre 2009 e 2010 no Parque de Bois de Bolougne, em Paris. Estes são só alguns dos projectos na forja para a construção de novos museus um pouco por todo o mundo. Notamos aqui duas atitudes diferentes: a iniciativa privada do Guggenheim, de Pinault e de Bernard Arnault e a polinização de museus conhecidos mas instalados em países com problemas de suborçamentação (Caso do Hermitage de São Petersburgo com um polo em Las Vegas) que procuram a expansão não através da associação com países e museus que poderiam proporcionar de facto um valor acrescentado e dar visibilidade à colecção, mas antes com países que sofrem do mesmo mal, como é o caso português. Há também o caso do Louvre de Abu Dhabi; ou seja, a exportação de um modelo com sucesso para um país dos mais ricos dos Emiratos Árabes, mas sem comparação quando colocado ao lado do Qatar. Neste exemplo o próprio museu fica de certa forma a perder pois tem de cumprir as condicionantes impostas pelo museu receptor o que neste caso se traduz por obras que não exponham nus nem cenas religiosas.

Mas o que é que faz mover as instituições nesta febre museológica, ou de marketing museológico? Há os exemplos referidos, mas há outros que ficaram prontos recentemente como a expansão do Whitney Museum por Renzo Piano e a extensão do Denver Art Museum por Daniel Libeskind.

Uma coisa é certa; uma obra de arte não desvaloriza. Ao contrário de um carro ou de uma casa, uma obra de arte com formato mais ou menos convencional, com uma ideologia conceptual mais ou menos ortodoxa, mais ou menos compreensível, é sempre um investimento. Pode não valorizar grandemente, mas não desvaloriza. Porque ao contrário de uma casa e de um carro cujos critérios de escolha estão ao alcance de cada um de nós e fazem parte do conhecimento comum, uma obra de arte tem uma face e uma vida associadas, e os critérios de apreciação são estéticos e por isso subjectivos. Não são quantificáveis, mensuráveis e assim, de difícil alcance. Existe também o factor “privados”. Os grupos privados como bancos e fundações encontraram na arte um investimento seguro que pode ter muitos parceiros e que, tal como numa moda, está a atingir o seu auge (The Bubble). O retorno é de tal forma compensador que não é difícil encontrar quem deseje participar num fundo de investimento em arte. Para além do valor monetário, há o valor simbólico.

Desconheço o peso do mercado e das transacções de arte para a economia dos países, mas em 2000 a Comissão Europeia calculava que o mercado de arte contribuia com 8 biliões de euros anuais. A consulta do Bloomberg também não me permitiu obter valores concretos para o anos mais recentes, mas para as economias europeias, a espanhola por exemplo, o mercado de arte é uma parte importante das receitas obtidas anualmente.

*José Mário Branco

6 Comments:

Blogger João Barbosa said...

Conheço o «que força é essa amigo» ao Sérgio Godinho... um de nós está errado. :-)

24/7/07 3:55 da tarde  
Blogger AM said...

... mas está certa quanto ao autor do projecto para o "louvre do deserto"

http://odesproposito.blogspot.com/2007/03/dois-museus-de-jean-nouvel-e-mais.html

24/7/07 8:00 da tarde  
Blogger beluga said...

Caro João Barbosa, desculpe a minha idiotice mas não percebi o seu comentário. "Que força é essa amigo" que faz com que se construam tantos museus e se invista tanto em arte. Bem sei, money makes the world go 'round.

Caro AM, mas uma vez, obrigada pela dica.

24/7/07 11:54 da tarde  
Anonymous ana said...

que força é essa é do sérgio godinho. cantada com o zé mário branco no "irmão do meio", disco do sérgio godinho com participações especiais.

25/7/07 12:53 da manhã  
Blogger João Jorge Barbosa said...

Eu não contesto o conteúdo do texto, apenas quis dizer que a música «Que força é esta amigo» a conheço ao Sérgio Godinho, só isso.

25/7/07 9:40 da manhã  
Blogger beluga said...

ah, ok. vou corrigir

25/7/07 11:25 da manhã  

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