segunda-feira, fevereiro 01, 2016

- o carteiro -

às vezes fico entalada. isto porque no social - e o meu social contempla por vezes gente de inteligência e cultura (se bem, que isto não é sinónimo de potabilidade) - tenho conversas sobre coisas que não domino. não sei tudo de arte, literatura, cinema... porque não quero que vocês fiquem assim, sem saber sobre o que é o filme, trago-vos a minha sinopse que, já sabem, é uma coisa parva. se vos falarem de:

Saló ou os 120 dias de Sodoma, Pasolini




















Mamocas, pipis, cócó, fascismo, cócó, homossexualidade, xixi, cócó, masoquismo, sadismo, pirilaus, cócó, lágrimas, "botão de rosa", "frango de churrasco", cócó... já disse cócó? enfim, parafilias várias

La Strada, Fellini
 


















Um dos filmes mais bonitos que já vi. Um mulher pobre, inocente e frágil é vendida pela família a um saltimbanco que faz números de terra em terra. Na verdade, ele - como ela - é muito limitado e faz sempre o mesmo número. Ele despreza-a, humilha-a, é bruto. Ela procura nele a salvação dela, mas ele não tem essa capacidade. Seguem ambos uma estrada que parece não ter fim, inadaptados. Ele despreza-a. Ela morre.

A Grande Ilusão, Jean Renoir



















Este Renoir era filho do Renoir pintor. E eu gosto muito dos filmes dele. Gosto de "A Regra do Jogo" e gostei deste "A Grande Ilusão". Há uma coisa nele que me faz lembrar "O Leopardo" do Visconti, e que é quando os dois oficiais, o alemão e o francês, seu prisioneiro, falam sobre os novos tempos em que a classe social mais elevada, a que ambos pertencem, já não tem uma palavra a dizer nos destinos do espaço a que pertencem. é também uma história de anti-heróis, de homens de diferentes proveniências que só querem ser livres.
 
L'amour fou, Jacques Rivette



















4 horas sofridas. o período do pré e pós maio de 68 não é o meu período preferido, confesso. um casal, ele encenador, ela actriz, enfrentam o final do casamento. ela empreende uma viagem estranha que passa pela tentiva de suicídio, a traição (ele também. aliás, as relações amorosas deste tempo são muito voláteis. veja-se o ménage à trois de Os Sonhadores) e a destruição da casa. ele mantém-se a encenar a Andrómaca do Racine e fala de forma muito, mas mesmo muito vaga sobre tudo. Era um dos filmes da Susan Sontag. E com esta a Ana já está a ganhar!  

2 Comments:

Anonymous ana said...

venho só deixar um comentário grunho, en passant... nunca vi nenhum dos filmes. e não gosto muito das coisas da susan sontag. me perdoa por não acrescentar nada de relevante à discussão e poluir o ciberespaço?

1/2/16 9:17 da tarde  
Blogger beluga said...

Anita
Não te preocupes: ninguém polui o ciberespaço com tanta classe quamto tu!
Aconselho o "La Strada" e um outro que não está na lista : a regra do jogo do renoir. E claro, a morte em veneza do visconti.
A Susan Sontag é um bocado contraditória (e até arrogante, pelo menos nas entrevistas), mas gosto das coisas que ela escreve. Pode ser que isto me passe...
Beijos grandes pra você. b.

2/2/16 9:04 da manhã  

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