quinta-feira, outubro 04, 2007

- ars longa, vita brevis -
hipócrates
antes e depois ou "se estiverem fartos deste título, posso mudar" ou "mas vamos lá ao que interessa: esta pintura de Fragonard foi originalmente encomendada por um nobre francês a outro pintor que não o dito. As recomendações eram claras: pintar a senhora que era amante, a andar de baloiço mostrando o seu belo tornozelo (o expoente máximo de sensualidade no século XVII. apesar dos decotes um belo peito não tinha tantos admiradores quanto um belo e pequenino tornozelo) e o nobre a olhá-la. O pintor acabou por recusar a encomenda e referir o nome de Fragonard. Já Shonibare faz algo muito engraçado e bem visto: exalta a natureza e usa-a para contextualizar a cena, o corpo da mulher perde-se no meio dos verdes, nem sequer lhe vemos a cara embora possamos ver as pernas. mas como não estamos no século XVIII, é mais importante para nós podermos descobrir-lhe os traços marcantes do rosto, ou dar-lhe um rosto apenas. enquanto no primeiro quadro o sapato que se solta do pé da senhora é quase um fruto que se mistura no verde das árvores, passando mesmo despercebido, Shonibare enfatiza esse momento (talvez o mais importante no quadro de Fragonard para ele), retratando-o colocando o sapato no ar. Ao eliminar a natureza de fundo enfatiza não a mulher, mas o sapato no alto. É uma abordagem mais material, mais concreta pois centra-se nãono enamoramento, mas num elemento que pode ser identificado seja qual for o século ou o local onde a instalação é exibida.", "mas posso mudar o título":

Fragonard
The Swing

1767
Wallace Collection, London


Yinka Shonibare
The Swing
2001
Tate, Londres

2 Comments:

Blogger AM said...

no Fragonard há um jogo de olhares cruzados (quem olha para o quê ou para onde?) e até as estátuas de pedra arregalam a pestana...

4/10/07 11:40 da manhã  
Blogger beluga said...

acho que a menina, madame, amante abriu demais a pernoca. no fundo ninguém estava contentado com o tornozelo.

5/10/07 12:25 da manhã  

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