terça-feira, agosto 21, 2007

- o carteiro -

Este post estava preparado há algum tempo, mas esperava o dia em que pudesse confirmá-lo, até porque escrito no calor (da noite) dos acontecimentos, o conteúdo poderia ser duvidoso. Mas hoje confirmei o que já estava parcialmente escrito. Embora “o carteiro” não se dedique a estes temas, é nele que vou inseri-lo.

Uma pessoa levanta-se de manhã e veste o seu vestido vermelho (semelhante ao da imagem no comprimento e no corte, mais discreto no decote). Não passa pelo espelho, não hesita entre levar e não levar: é aquilo que quer usar e não há ninguém que a demova (excepto o tempo, mas mesmo esse está de feição). Sai de casa e apesar da hora ainda não ser propícia a grandes movimentos, os primeiros transeuntes com quem se cruzam não disfarçam sorrisinhos, alguns arriscam a buzina do carro (uma coisa que entrou em desuso desde quê? Os finais dos anos 60?) e vêm as primeiras palavras. Algumas inocentes, sem consequências, até engraçadas. Outras de puro mal gosto, de nos fazer ter vontade de voltar atrás e vestir a primeira camisola de gola alta, ou então andar pelos cantos, junto às parades para disfarçar e para ver se ninguém repara.

Eles disparam com mais ou menos pudor, e outra coisa não seria de esperar (não por quem usa, mas porque lhes está na natureza olhar dessa forma para o invólucro), as palavras do costume, algumas lisonjas, mas na maior parte das vezes, com sabor a ameaça e a recriminação. De “bom rabo” a “estás mesmo a pedi-las”, vai um variado leque dos chamados piropos. O que é um rabo? Um aglomerado de moléculas, células, tecidos, músculos, carne e pele. Para além da função escatológica, não serve de grande coisa. Eu se fosse braço ou perna sentir-me-ia insultado por ser preterido em relação ao rabo. E o que é um braço ou uma perna, senão a extensão de uma função corporal. Já o “estás mesmo a pedi-las” é o mote para virar costas (melhor, virar de frente, pois de costas já uma pessoa estava), levantar o indicador e proferir uns impropérios. Mas assim seria uma pessoa que para além de “estar a pedi-las”, era mesmo “uma galdéria” pois ainda ripostava. O melhor é continuar com as costas voltadas e pensar que o aquilo a que se referem é à água nas florzinhas. É argumento falacioso: quem quer não pede, vai buscar.

Elas, são a verdadeira desilusão. Ouve-se de dentro dos carros: “olha para isto, depois dizem que os homens isto e que os homens aquilo. Quase que se despem! Está mesmo a pedi-las”, “até nem está destapada. O vestido é abaixo do joelho”, “mas é justo”, “cada um usa o que quer”, “e cada um vê o que quer, não é? Se eu não te conhecesse”. E o vestido vermelho passa, de cabeça levantada porque não tem nada de que se envergonhar e deixa de acompanhar a prosa familiar até porque entre “marido e mulher ninguém, mete a colher”, e muito menos o vestido vermelho de outra mulher. Que um espécime masculino assim pense, não é estranho nem revoltante,... quer dizer, não é nada (excepto a parte do “está a merecê-las”). Revoltante é pensar que uma mulher pensa isso de outra só porque nesse dia não vestiram as duas como acontece uma vez num milhão, vestidos vermelhos iguais.

4 Comments:

Blogger João Barbosa said...

penso que o piropo sai da boca mesmo com outras cores. uma amiga minha que seguia de verde ouviu: «e isto está ela verde, imagine-se quando estiver madura».
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por mim acho mais interessante outro gracejo: «acreditas no amor à primeira vista ou tenho de passar por ti mais vezes?»

21/8/07 10:46 da manhã  
Blogger beluga said...

(sorriso) olhe, esse piropo do "está verde" está ao nível do "jóia, anda aqui ao ourives". há coisas hilariantes.

21/8/07 11:11 da manhã  
Blogger Eduardo said...

adoooooooorooooooo!!!

rouge-désir: toujours!

beijo-a

(com labios vermelho-escarlate)

21/8/07 11:23 da manhã  
Blogger beluga said...

rouge absolute- lancôme. beijo para si

21/8/07 12:25 da tarde  

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